Foi um trimestre histórico para a Galp. A companhia registou um disparo na sua margem de refinação no terceiro trimestre deste ano para quase 34 dólares.
A subida de 255% registou-se face ao período homólogo. Já o aumento face ao trimestre anterior foi de 100%, relativo aos 17 dólares registados.
O aumento da margem de refinação teve lugar este ano com o disparo no preço do petróleo e dos combustíveis, devido às guerras no Médio Oriente e entre a Rússia e a Ucrânia. Além da subida dos preços, o mercado também está a sofrer com menos petróleo e combustível disponíveis.
Devido ao conflito no Médio Oriente e ao bloqueio dos estreitos de Ormuz e de Bab Al-Mandeb, os fretes marítimos ficaram mais caros e as viagens ficaram mais longas, obrigando os petroleiros a dar a volta a África.
O valor de quase 34 dólares por barril da margem de refinação é um novo máximo histórico, deixando para trás os 22,3 dólares por barril atingidos no segundo trimestre de 2022, influenciada pela invasão russa da Ucrânia, que deu origem a uma crise energética.
Historicamente, a margem de refinação da Galp tem rondado os 5 dólares por barril, mas o efeito das guerras no Médio Oriente e no Leste da Europa provocou um disparo para 34 dólares.
A margem de refinação é a diferença entre o valor de venda dos combustíveis e o custo de compra do petróleo.
O ano de 2022 foi também o que registou a melhor margem de refinação anual até agora, com um valor anual próximo dos 12 dólares por barril, seguido de 2023.
No segundo trimestre deste ano, a produção foi a responsável por 55% das receitas da Galp, com o segmento industrial (onde se inclui a refinação) a pesar 36% nas receitas, seguido do segmento comercial (9%) e das renováveis (1%), altura em que a margem de refinação disparou 175% para quase 17 dólares por barril.
A Galp registou 812 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, mais 44% face ao período homólogo, com o EBITDA da produção a disparar 76%, enquanto no segmento industrial e ‘midstream’ subiu 22%. No segundo trimestre, viu os lucros subir 45% para 540 milhões, com o ‘upstream’ a subir 73% e o ‘midstream’ a valorizar 43%.
Na altura, a Galp previa uma margem de refinação de 13 dólares por barril, o que coloca 2026 com o valor histórico mais elevado.
A produção de petróleo e gás subiu 14% face ao período homólogo para 131 mil barris diários, com a larga maioria (90%) a ser petróleo.
As vendas de produtos petrolíferos recuaram 1% face ao período homólogo, subindo 10% face ao segundo trimestre.
Por sua vez, as vendas de gás natural subiram 16% em termos homólogos e desceram 3% face ao trimestre anterior. Na eletricidade, as vendas subiram 37% face a 2025 e subiram 6% face ao segundo trimestre.
A refinaria de Sines produziu 4,1 milhões de toneladas métricas de produtos petrolíferos no terceiro trimestre, mais 1% face ao período homólogo.
A Galp apresenta os resultados financeiros a 26 de outubro.
A refinaria de Sines está incluída no negócio entre a Galp e a Moeve. Na semana passada, o ministro da Economia defendeu que os interesses nacionais têm de ser salvaguardados no negócio entre a Galp e os espanhóis que envolve a refinaria de Sines.
A fusão entre a Galp e a Moeve implica a passagem da refinaria para uma empresa onde a petrolífera lusa só vai ficar com 20%, e a Moeve com a restante percentagem, colocando também as suas duas refinarias nesta sociedade.
Nunca a Galp teve uma margem tão alta a produzir combustíveis
/
Margem de refinação da companhia atinge máximo histórico depois de disparar 250% com guerras no Médio Oriente e no leste europeu.