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“Não pedimos dinheiro ao Estado, mas sim reconhecimento”

A imprevisibilidade fiscal e o menor consumo de álcool são alguns dos desafios que a indústria cervejeira enfrenta. Opresidente da Associação dos Cervejeiros, Rui Lopes Ferreira, pede mais atenção ao setor que pesa 2,53% no PIB e cresce em contraciclo com os parceiros europeus.

Quando se sentam numa esplanada para beber uma cerveja, os portugueses e os turistas têm, na maioria das vezes, duas marcas à escolha. No entanto, e apesar da perceção generalizada, o mercado cervejeiro português não se resume a essas duas opções. Atualmente, existem 100 cervejeiras no país, espalhadas de Norte a Sul, e dessa centena, 19 pertencem à Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja (APCV) que representa 99,5% da produção de cerveja em Portugal.

Criada em 1984, a associação é, desde abril deste ano, presidida por Rui Lopes Ferreira numa liderança rotativa a cada três anos entre as maiores cervejeiras. A associação engloba diferentes realidades empresariais, dos maiores grupos, como a Central de Cervejas, a Super Bock Group e a espanhola Damm às artesanais Musa, Dois Corvos e Nortada, entre outras.

Ao Jornal Económico(JE), o gestor que também é CEO do grupo Super Bock, admite que o setor “está bem mas enfrenta muitos desafios”, sobretudo os que têm a ver com a imprevisibilidade regulatória e fiscal. Relembra: “nos últimos trinta anos existiram cerca de 1500 alterações ao IRC o que torna muito difícil às empresas fazerem o seu planeamento”. E reforça a sua ideia: “em termos práticos, não pedimos dinheiro ao Estado português, pedimos o reconhecimento que nos parece deficitário para o papel que a indústria cervejeira tem para a economia nacional”. Segundo a associação, a industria cervejeira contribuiu atualmente com 2,5% para o Produto Interno Bruto português representando atualmente cerca de 7,3 mil milhões de euros de impacto económico global.

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