As receitas da operadora de telecomunicações Meo cresceram 0,3% no primeiro semestre deste ano, face a igual período de 2025, para 1.297 milhões de euros, numa base proforma que exclui as vendas da participação de 65% na Intelcia e do data center da Covilhã à Asterion, por 120 milhões de euros.
Sem ter isso em conta, o registo é de uma quebra de 2,9%.
Os resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) recuaram 7,5%, para 443 milhões, o que a empresa explica com a “elevada competitividade” no segmento de Consumo e o aumento de custos operacionais, nomeadamente com aluguer de infraestruturas, sistemas de informação e energia, pressionados pela inflação.
“Os resultados do primeiro semestre demonstram a resiliência da Meo num contexto de elevada intensidade concorrencial e confirmam a solidez da nossa estratégia”, dia Ana Figueiredo, CEO da Meo, ao Jornal Económico. “Estamos a conseguir compensar a pressão no negócio tradicional de telecomunicações através da diversificação, com a Meo Energia e o Segmento Empresarial a assumirem um papel cada vez mais relevante”, acrescenta.
A energia continua a ser uma alavanca de crescimento. As receitas cresceram mais de um terço no trimestre e a base de clientes aumentou de 188 mil, em junho de 2025, para 256 mil.
O segmento empresarial também mostra vitalidade, com as receitas B2B a aumentarem 5,3% no segundo trimestre, para 199 milhões de euros. Os serviços não relacionados com telecomunicações representam 25% das receitas de serviços do segmento. No conjunto dos Serviços Empresariais, que inclui B2B, Wholesale e Altice Labs, a faturação foi de 282 milhões.
“Uma das dimensões mais importantes da nossa evolução é a transformação da própria composição do nosso negócio”, diz Ana Figueiredo. “A Meo Energia cresceu 36%, o Segmento Empresarial mais de 5% e, na Altice Labs, a receita proveniente dos mercados internacionais duplicou no trimestre. São sinais concretos de que estamos a criar novas fontes de crescimento e a reduzir progressivamente a nossa dependência dos negócios tradicionais de telecomunicações”, explica.
A Altice Labs, que nos últimos anos penalizou as contas do grupo devido à quebra das vendas de equipamentos e hardware no exterior, apresenta agora sinais de recuperação, com as receitas internacionais a duplicaram para 20% do total.
Nos primeiros seis meses do ano, o investimento da Meo aumentou 3,3%, para 202 milhões de euros. A rede de fibra chega a 6,7 milhões de lares e a cobertura populacional é de 99,98% em 4G e 97,91% em 5G.
“Estamos a atravessar uma transformação profunda da Meo, que combina simplificação e eficiência operacional com investimento em inteligência artificial, cibersegurança, inovação e infraestruturas digitais”, diz Figueiredo. “Para o segundo semestre, vamos continuar focados na execução desta estratégia, na eficiência operacional e no desenvolvimento dos novos motores de crescimento, mantendo o investimento nas áreas críticas para a competitividade futura”, promete.
Meo diversifica negócio para fugir à concorrência nas telecom
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Resultados : Receitas estagnaram no semestre, por causa da concorrência e dos custos. Mas o perfil da empresa está a mudar.