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Dois terços das equipas das duas maiores ligas já têm capital estrangeiro

Futebol : Das 33 equipas que disputam as duas ligas profissionais, 22 têm investidores estrangeiros nas SAD. Estrela da Amadora é o caso mais recente, Belenenses poderá ser o clube que se segue.

A recente venda de 90% da SAD do Estrela da Amadora por 40 milhões de euros a um consórcio alemão composto por dois grupos de investimento e participação dos futebolistas Thomas Müller, Mats Hummels e Yann Sommer, é mais um sinal da aposta de investidores estrangeiros no futebol em Portugal.
Os dados recentes do jornal “Expresso”, indicam que das 33 equipas que participam nas duas ligas profissionais, 22 têm capital estrangeiro nas suas Sociedades Anónimas Desportivas (SAD).
Entre elas estão o Sporting de Braga, que conta com uma participação de 20% da QSI, dona do Paris Saint-Germain, o Vitória de Guimarães, cujo fundo V Sports (dono do Aston Villa) detém 29% da SAD.
Cenários diferentes têm o Famalicão, cuja SAD é detida em 85% pelo Quantum Pacific Group, do milionário israelita Idan Ofer, o Moreirense, que viu 70% da SAD ser comprada pelo fundo norte-americano, Black Knight Football Club (dono do Bournemouth, o FC Alverca, que tem entre os investidores que compraram 80% da SAD, o jogador do Real Madrid, Vinícius Junior ou recém-promovido à Primeira Liga, Académico de Viseu, que tem a sua SAD controlada em 90% pelo investidor alemão Dietmar Hopp.
“É uma tendência que temos visto nos últimos 10, 15 anos e vamos ver de certeza mais no futuro. O desporto é uma indústria que cada vez gera mais receitas, mais visibilidade, mais retorno”, diz ao JE, Daniel Sá, diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM).
O negócio do Estrela da Amadora confirma esta tendência e Alexander Benter, da ADvantage, uma das empresas de investimento, assume que quer construir “algo especial” no clube.
Daniel Sá reitera que cada investidor tem o seu perfil e procura coisas diferentes, embora assentem em dois tipos: os que querem um retorno imediato, através da compra e venda de jogadores, tentando rentabilizar o mais rápido possível o investimento, sendo que muitas vezes a estratégia de médio e longo prazo é um pouco penalizada.
Ou os investidores que vêm para ficar e desenvolver a marca, o clube e os adeptos.
“Parece-me que estaremos perante um investidor que quererá desenvolver o Estrela da Amadora a médio e longo prazo e não entrará numa lógica muito de curto prazo. Mas o futuro o dirá”, refere.

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