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Carteira de encomendas da Mota-Engil supera 20 mil milhões

Construção : Empresa registou o maior volume da história de 17,7 mil milhões no primeiro semestre, aos quais serão adicionados 2,5 mil milhões de contratos assinados em África e América Latina. “Têm sido os dois principais motores de desenvolvimento do Grupo”, diz Carlos Mota Santos.

A carteira de encomendas da construtora portuguesa Mota-Engil atingiu 20,2 mil milhões de euros. É o maior volume da sua história, praticamente um Plano de Recuperação e Resiliência inteiro. Aos 17,7 mil milhões de euros registados no primeiro semestre, acrescem 2,5 mil milhões de euros de novos contratos para África e a América Latina, as regiões que têm sido motores do grupo e onde este concentra o negócio.
Esta semana, o maior grupo português do setor da construção acordou a extensão do Corredor do Lobito para a República Democrática do Congo, num contrato de 1.800 milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros) para uma parceria público-privada a 30 anos. Antes anunciou a extensão do projeto ferroviário na Nigéria (Kano-Maradi) em 655 milhões de dólares (562 milhões de euros). A somar a um novo contrato para a construção de um aeroporto no Peru de 140 milhões de dólares (120 milhões de euros) e novas infraestruturas no México por 185 milhões de euros.
“São resultados que traduzem o que tem sido feito por toda a organização para concretizar os eixos estratégicos de crescimento, diversificação e disciplina financeira”, afirma ao Jornal Económico Carlos Mota Santos, CEO da Mota-Engil.
Estes números resultam de uma forma crescente de projetos geradores de cross-selling entre as diferentes unidades, e que permitem capturar uma margem superior através de uma permanência superior no ciclo de vida das infraestruturas, podendo combinar entre engenharia e construção em regime de concessões, como também agregar competências da gestão de resíduos à produção de energia.
“Algo que é fundamental para acelerar a circularidade de economias como a portuguesa e outras geografias onde possamos escalar as competências de engenharia existentes no Grupo e com provas dadas”, refere.
O CEO defende que todo este pipeline resulta de um trabalho de identificação e estudo de oportunidades, algo que num setor como o das infraestruturas é longo e exigente.
“A estratégia em curso, com a concentração do trabalho comercial nos chamados mercados core e nos segmentos onde sabemos que seremos mais competitivos, têm trazido o devido retorno, na conversão de pipeline para a angariação efetiva de carteira de encomendas”, enfatiza.
De resto, assume que essa aposta de definição dos segmentos prioritários permitiu nos últimos quatro anos que a Mota-Engil fosse a construtora não-chinesa a executar o maior número de quilómetros de ferrovia a nível mundial, segmento onde a construtora conta com uma carteira de encomendas que supera, atualmente, os oito mil milhões de euros.
“Demonstra que somos hoje um dos maiores construtores de ferrovia a nível mundial, o mesmo no contract mining (ver caixa ao lado), onde estamos a trabalhar para multinacionais, sendo atualmente o maior operador em África”, afirma.
Objetivo que, para o CEO, só se consegue alcançar com uma enorme dedicação aos projetos e à concretização da ambição dos clientes, resultante da competência na execução que permite aumentar os níveis de confiança entre as partes, base fundamental para parcerias de longo prazo.

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