A Volkswagen cresceu com uma receita simples: mais carros, mais fábricas, mais mercados. Agora, está a colher o preço dessa escalada. As entregas mundiais caíram 8,6%, a China recuou 36,6%, a maior dor de cabeça do gigante de Wolfsburgo e os custos de estrutura são cerca de 30% superiores aos dos principais concorrentes.
Na Alemanha, a empresa prepara uma reestruturação que poderá envolver cerca de 50 mil postos de trabalho até 2030, através de medidas voluntárias e socialmente negociadas. Cerca de 37 mil contratos já tinham sido assinados até 21 de agosto. Já a referência a outros 50 mil postos a nível mundial não é, garante o CEO numa entrevista publicada pela própria empresa, uma meta fixa, mas uma estimativa do esforço necessário para aproximar os custos da concorrência.
A Volkswagen está a tentar travar uma crise que deixou de ser apenas um problema de vendas e passou a ameaçar o próprio modelo industrial do maior fabricante automóvel europeu. A dimensão do problema ajuda a explicar a dureza das palavras de Oliver Blume. O presidente executivo admitiu num memorando interno citado pela Reuteurs que a situação é “mais do que crítica” e avisou que os atuais cortes não são suficientes.
Num relatório semestral, a empresa reconhece que uma margem operacional de apenas 3,8%, “embora sólida face ao contexto, não permite gerar recursos suficientes para financiar novas tecnologias, novos produtos e as fábricas do grupo”, acrescenta o CEO, segundo a mesma fonte.
A preocupação central de Blume é a competitividade. A Volkswagen cresceu durante décadas num mercado com outras regras e uma concorrência menos agressiva. Agora enfrenta simultaneamente a ofensiva dos fabricantes chineses de veículos elétricos, a transformação tecnológica da indústria, novas barreiras comerciais nos Estados Unidos e uma estrutura industrial considerada sobredimensionada.
A empresa admite que não encontrou até agora uma perspetiva industrial competitiva para a década de 2030 em quatro unidades fabris: Emden, Hanôver, Zwickau e Neckarsulm. Blume insiste que nenhum encerramento foi decidido e que fechar uma fábrica seria a solução “última e mais cara”. Entre as alternativas estão novas utilizações industriais, parcerias e até a reconversão de algumas unidades para outras atividades.
A 9 de Julho deste ano, a empresa apresentou o “Future Plan” onde estabeleceu como objetivo de produção 9 milhões de veículos por ano, contra os cerca de 12 milhões para os quais tinha capacidade antes da pandemia. No mesmo mês, publicou os resultados dos primeiros seis meses do ano. As receitas rondaram os 158,1 mil milhões de euros, mas o resultado operacional caiu para 5,9 mil milhões, menos 11,6% do que no período homólogo.
A crise da Volkswagen e a oportunidade da Autoeuropa
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Reestruturação: Enquanto a Alemanha prepara cortes que podem atingir 100 mil postos de trabalho, a Autoeuropa recebe investimento e foi escolhida para fabricar o futuro elétrico da marca.