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Industriais têm um só pedido para os decisores: ajam!

A indústria europeia já passou a fase das declarações e exige ação urgente. Custos da energia, menos burocracia e comprar europeu são essenciais.

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) continuam a discutir a melhor forma de aumentar a competitividade europeia e de reanimar a economia, mas para os industriais a resposta é simples: ajam! Foi isso que pediram no final da Cimeira Industrial de Antuérpia, na Bélgica, na véspera do retiro do Conselho Europeu em Alden Biesen.
Em vez de uma renovada declaração de Antuérpia, como a que foi feita há dois anos, os cerca de 560 participantes na cimeira lançaram um apelo aos participantes na cimeira informal. “Pedimos liderança, ações ousadas e coragem”, afirmaram, no texto final. “Sejamos claros. Não há Europa resiliente, segura ou forte sem uma indústria europeia forte”, sublinharam.
Em 2024, foi pedido um Pacto Industrial Europeu que servisse de complemento ao Pacto Ecológico, o Green Deal. Também que se resolvessem os problemas da burocracia, das incoerências legais e da energia mais cara. Depois, mais investimento em infraestruturas, que a nova economia precisa de redes robustas. Que se interviesse no financiamento, para incentivar a inovação, e, sim, que se concretizasse o prometido mercado único europeu.
Só que, dois anos depois, os dados mostram que só houve melhorias em 17% dos objetivos definidos e em alguns casos registou-se mesmo uma deterioração. Também só 11% das recomendações do Relatório Draghi para o aumento da competitividade europeia foram concretizadas. Curto.
“A Europa está a perder capacidade industrial a um ritmo que nunca vimos”, diz Markus Kamieth, presidente do Cefic, o conselho da indústria química europeia, e CEO da BASF. “Não se trata de uma desaceleração temporária, mas de uma mudança estrutural na competitividade, que afeta todos os setores industriais. Se a Europa quer liderar a transição para a indústria limpa, não pode continuar a perder as indústrias que a tornam possível”, afirma.
“A indústria europeia está a operar num contexto cada vez mais assimétrico face a outras regiões do mundo”, reforça Paulo Sousa, presidente da Metal Packaging Europe e CEO da Colep Packaging.
Face à urgência, os industriais limitam as exigências a três: reduzir os custos energéticos e de carbono; comércio global justo e melhoria do acesso a financiamento; “orgulho em comprar produtos fabricados na Europa”, através de compras públicas e iniciativas de compradores privados aprovadas pela UE. É este o sumário para a ação dos decisores políticos.

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