A Inteligência Artificial (IA) faz cada vez mais parte do dia a dia e a sua evolução vai obrigar os decisores políticos a acompanhá-la e a tomar decisões com base nesse caminho.
Perante esta possibilidade, a questão passa por perceber se todos os agentes estão preparados para fazer essa transição.
“O Estado já tem uma agenda nesta área, mas tem de saber se está disponível para deixar de ter um sistema de arquivo e passar a ser operativo”, afirmou Nuno Saramago, diretor-geral da SAP, no painel ‘A grande ajuda da tecnologia’,
O responsável considera que a Inteligência Artificial pode ser utilizada como amplificador do que já é feito, mas é completamente diferente utilizá-la para executar tarefas.
Como tal, defende que a automatização e delegação do poder de decisão podem ser os motores de competitividade desta tecnologia.
“É importantíssimo colocarmos a Inteligência Artificial junto dos processos e embebê-la no que já está sólido”, referiu este responsável na conferência do JE.
Por sua vez, Bernardo Ivo Cruz, senior advisor da Askblue, abordou os riscos de uma base digital nas políticas públicas, salientando que o Estado tem uma legitimidade formal de as desenhar por vencer as eleições.
“As políticas públicas são desenhadas por pessoas a quem nós atribuímos a competência para o fazer e para tentar gerir o nosso bem comum”, salientou.
O responsável realço que há uma legitimidade de resultado, no sentido de saber se essas políticas resultam.
“Quando vamos votar, vamos atribuir o direito a essas pessoas de falarem em nosso nome e de tomarem decisões em nosso nome”, sublinhou, dando como o exemplo o que acontece com o facto de nada ser feito em relação ao problema das alterações climáticas.
“O que a ciência diz ao setor público é, ou vocês fazem alguma coisa, ou vamos continuar a afogar-vos e a queimar-vos ao longo do ano. Há pessoas que não conseguem gerir isto”, sublinhou.
De resto, recordou que em França o tema das políticas públicas ficou conhecido como o debate entre o fim do mundo e o fim do mês.
“Quando tratamos de políticas publicas temos de perceber o impacto nas minorias, nas pessoas que estão longe. As políticas publicas com base na Inteligência Artificial, por um lado são ótimas, mas para alguém que não sabe usar um telemóvel é um problema, porque deixa de ter um interlocutor que lhe resolve os problemas”, realçou.
Presente neste painel esteve João Alves, CEO da SpotGov, que sublinhou que dada a evolução atual da Inteligência Artificial, o mundo já terá mudado dentro de dois ou três meses.
Por isso, é necessário acelerar os processos de contratação pública, segmento que representa 15% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
“Se conseguirmos criar um sistema para as empresas chegarem aos concursos mais rápidos, diminuir os custos e aumentar a transparência”, salientou.
Até porque, acrescentou que isto vai levar a uma vantagem das empresas a democratizar um acesso aos concursos e acima de tudo contribuindo para que os 42% que “neste momento ficam vazios, acabem preenchidos”, sublinhou.
Sobre a evolução da Inteligência Artificial enquanto ferramenta presente no dia a dia da população, o responsável não tem dúvidas do que está para vir.
“Vem entrar nas nossas casas e fazer parte das nossas famílias. Temos que nos resignar a este cenário, mas de uma forma positiva”, referiu.
Estado tem de passar de um sistema de arquivo a operativo
/
Nuno Saramago, diretor-geral da SAP, considera ser “importantíssimo” colocar a IA junto dos processos e “embebê-la” no que já está sólido.