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“Uma relação singular” com margem para aprofundar e benefícios mútuos

Ministro da Economia projeta ainda mais integração entre os dois países e benefícios para ambas as geografias em vários sectores. Relação “alicerçada numa história comum [...] não pode viver apenas da memória”, resumiu.

O esforço de diversificação da economia angolana não passa ao lado do Governo português, garante o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que vê aqui potencial para aprofundar as relações entre os dois país.
Os laços históricos e culturais servem de base, mas o futuro assenta em maior colaboração, numa relação benéfica para ambas as economias.
Manuel Castro Almeida aproveitou a sua intervenção na conferência Doing Business Angola 2026 para enaltecer o esforço de diversificação que Luanda tem vindo a levar a cabo, procurando reduzir a dependência do setor petrolífero e da exploração de recursos naturais. Com “um futuro de enorme potencial” para a economia angolana, Portugal deve suportar este esforço, colhendo também alguns dos frutos, defendeu.
“Portugal e Angola mantêm uma relação singular, alicerçada numa história comum, numa língua que nos une e numa proximidade humana que ultrapassa fronteiras”, afirmou. “Mas uma parceria verdadeiramente estratégica não pode viver apenas da memória”, acrescentou, argumentando que existe ainda um “vasto potencial para aprofundar esta cooperação, acompanhando o esforço de diversificação da economia angolana”.
Portugal continua a ser a principal origem das importações angolanas, representando 15% do total, enquanto Angola é o quinto parceiro extra-UniãoEuropeia mais relevante para a economia portuguesa. Além disto, mais de 3.500 empresas lusas exportam para Angola e 350 têm já investimentos na economia angolana, um dos países com maior potencial de crescimento a nível global, dada uma das populações mais jovens do mundo, aiadn em expansão, e a riqueza de matérias-primas.
Esta afinidade entre as duas economias ganha ainda mais importância dado o contexto internacional adverso e incerto, pelo que “a confiança e ambição” partilhada deve ser aproveitada para benefícios mútuos, advogou.
Com Angola a procurar diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo e a exploração de outros recursos naturais, as possibilidades para cooperação são extensas. Mesmo neste quadro, porque Luanda pretende evoluir da extração para a transformação, subindo na cadeia de valor.
De maior importância e uma oportunidade, a ambição da independência agrícola angolana, uma das prioridades do governo angolano, cria uma oportunidade clara de aprofundamento das relações, mas há muitas outras.
“Cerca de metade dos produtos alimentares consumidos em Angola continua a ser importado”, mencionou, apontando uma característica frequentemente dada como uma ameaça à estabilidade e segurança alimentar do país. “Portugal dispõe de empresas altamente especializadas na produção agrícola, na transformação alimentar, na mecanização, na tecnologia aplicada ao setor e na valorização das cadeias agroalimentares”, pelo que “poderá contribuir para reforçar a produção local e aumentar a segurança alimentar” angolana.
Castro Almeida apontou ainda especificamente aos projetos de infraestrutura angolanos, como o Corredor do Lobito, mas também à formação, “uma área decisiva para reforçar a cooperação entre os dois países”.
“Seria muito útil que pudéssemos dinamizar ainda mais a participação do IEFP, fazendo formação nos países de língua portuguesa com um acordo estabelecido ao nível dos governos para que parte dos formandos possam permanecer em Angola, em benefício da economia e da sociedade angolana, e outra parte possa vir para Portugal reforçar o nosso emprego e as nossas necessidades de mão-de-obra qualificadas”, ilustrou.
Para isto, as empresas terão um papel chave.
“Queremos que mais empresas portuguesas encontrem em Angola oportunidades para investir, inovar e crescer, e queremos igualmente que mais empresas angolanas vejam em Portugal uma plataforma segura para estabelecer parcerias desenvolver projetos e aceder ao mercado europeu”, resumiu.

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