Skip to main content

Programa de privatizações está no fim mas ainda tem muito sumo

Na fase final do processo, há ainda, segundo Álvaro Fernão, principal responsável do IGAPE, diversas empresas interessantes para os investidores.

O programa angolano de privatizações 2019/2026 incidiu sobre cerca de 120 ativos e contratualizou mais de 1,3 mil milhões de dólares, mas, mesmo estando a encerrar, ainda tem uma dezena de oportunidades que Álvaro Fernão, presidente do Conselho de Administração do Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), definiu como outras tantas excelentes oportunidades de investimento.
O turismo surge em destaque. “Alavancar o turismo faz parte desta grande reforma liderada pelo governo”. “Temos 30 ativos hoteleiros neste momento em preparação para a negociação em coordenação com o Ministério do Turismo. Estarão disponíveis no segundo semestre deste ano, com os investidores a poderem negociar de forma B2B”, explicou. “Desses ativos para privatizar, temos três ou quatro que serão em oferta pública inicial”.
Por outro lado, “neste momento está a decorrer o processo de subscrição para 15% da Unitel, o processo vai decorrer de 6 a 24 de julho” e que envolve uma colocação de 300 milhões de dólares. De seguida, haverá a fase final do Standard Bank, “um banco africano que tem uma boa rentabilidade. Privatizaremos 10% em Bolsa e 24% junto do parceiro Standard Bank Group, da África do Sul. A Endiama (diamantes) e a Cimangola (cimentos) serão os próximos ativos em Bolsa, “em preparação também para ocorrerem no segundo semestre de 2026. Em concurso público, por prévia qualificação”, especificou, para garantir que os parceiros selecionados para integrar essas empresas tenham capacidade financeira, tecnológica e económica.
O Banco Comercial de Angola (BCA) “é uma operação bem mais pequena, são 1,4% de ações, requer a lei das privatizações que façamos um concurso público, uma vez que não podemos fazer vendas diretas. Portanto, iremos lançar a operação também até ao quarto trimestre e o que poderá também acontecer é que os acionistas do banco exerçam o seu direito de preferência”; referiu aquele responsável.
“Depois temos dois ativos de comunicação. Temos 100% da TV Zimbo e 100% da Media Nova”. A TV Zimbo é um canal aberto, também com distribuição a cabo e tem nos seus ativos a TV Zimbo Internacional. Já a Média Nova tem jornais, revistas, seis rádios em províncias diferentes em Angola. “Estes dois ativos estão disponíveis também para a privatização de 100% das suas ações. Lançaremos o concurso e escolheremos o parceiro que melhor apresentar as propostas dentro daquilo que for o caderno de encargo da privatização”, disse Álvaro Fernão.
A transportadora aérea TAAG também está prevista para privatizar 15% por via da atração de um parceiro estratégico, nos mesmos termos que a Angola Telecom. “Queremos um parceiro estratégico que traga know-how, expertise operacional e robustez financeira, para juntos conseguimos conduzir o programa de reestruturação e continuar a expandir aquela que é a nossa companhia de bandeira”.
Finalmente, a Zona Económica Especial é um ativo que está 15% disponível para privatização. “Estamos nesse momento a preparar a avaliação e o prospeto para colocar este ativo no mercado. Ou seja, são mais de mil lotes industriais que têm todo o tipo de empresas, claramente organizadas em quarteirões para garantir a segurança e a conformidade da produção”.
Álvaro Fernão concluiu que “nós temos, para além de receitas, é alavancar estas empresas, maximizar o seu potencial, internacionalizar as empresas e para isso precisamos de estratégia e de parceiros estratégicos connosco para levar estes projetos a cabo”.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico