Pouco mais de 50 anos depois da independência, Angola aposta numa estratégia de utilização dos recursos naturais numa ótica de valor acrescentado, independência (energética, alimentar), retenção de valor para distribuição de riqueza pela população, valorização das exportações e intromissão na cadeia de valor global. Está, nesse contexto, disponível para acomodar capital estrangeiro que queira contribuir para a concretização dessa visão, numa lógica de parceria – onde não há mais lugar à tradicional ajuda que o mundo ocidental tratou de prodigalizar, mas sim de negócio. Cada parceiro com o seu interesse específico.
É esta a matriz do novo quadro de desenvolvimento económico angolano, com um extenso pipeline de setores.
Coube ao ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola, Diamantino Azevedo, percorrer os seus pontos mais importantes nas intervenções que fez na conferência Doing Business Angola 2026, promovida, em Lisboa, pelo JornalEconómico e pela Forbes África Lusófona. .
“O mundo procura, simultaneamente, três grandes ativos estratégicos: segurança energética, minerais essenciais para uma transição energética justa e equitativa”. Ora, Angola tem tudo isso: “Poucos países reúnem estas três condições de forma tão abrangente como Angola”, disse. “Possui uma extraordinária diversidade de recursos minerais, incluindo aqueles indispensáveis às novas tecnologias, importantes reservas de petróleo e gás natural, e uma localização geoestratégica privilegiada, o que faz de Angola uma plataforma essencial para servir os mercados do continente africano e do mundo em geral”, explicou.
A montante, “encontra-se, acima de tudo, uma visão que temos para o presente e futuro de Angola. Angola vive hoje uma economia em profunda transformação. O petróleo continua a desempenhar um papel determinante como principal fonte de receitas fiscais e de divisas, constituindo um pilar que continuaremos a gerir com responsabilidade, eficiência e crescente sustentabilidade ambiental”.
Mas, ao mesmo tempo, os setores não-petrolíferos registam um crescimento cada vez mais robusto, “refletindo uma transformação estrutural da economia nacional e oferecendo aos investidores oportunidades diversificadas e sustentáveis. Angola já não é apenas uma economia dependente de seus recursos minerais; está a diversificar a sua base produtiva e a construir novos motores de crescimento”, anunciou.
A montante, ainda, as reformas recentes “transformaram significativamente o ambiente de negócios, reforçando a transparência, a estabilidade regulatória, a segurança jurídica e a previsibilidade fiscal”.
“Estamos a construir uma economia que transforme os seus recursos em valor acrescentado, desenvolva cadeias industriais, promova o conhecimento, incentiva a inovação e crie oportunidades para as gerações presentes e futuras”, disse.
Investimento estrangeiro “deve implicar subida na cadeia de valor”
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Angola tem uma estratégia para utilizar os recursos naturais numa ótica de valor acrescentado. Diamantino Azevedo quer investimento estrangeiro para concretizar esta visão.