Com a perspetiva de mais de um terço da população portuguesa ter uma idade superior a 65 anos, as seguradoras querem ajudar a transformar mentalidades, para que se possa viver mais tempo, mas com uma maior qualidade de vida. Esta foi uma das principais mensagens transmitidas no painel “Mais vida, melhor vida. O que muda?”.
“Temos de mudar o mindset da população para que promovam mais a sua saúde. Este movimento tem de acontecer, mas para isso temos de trabalhar num ecossistema de saúde. Isso passa pelas seguradoras passarem a ser não só pagadoras, mas prestadoras de cuidados de saúde”, afirmou Eduardo Consiglieri Pedroso, Chief Healthcare Officer da Ageas.
O tema da longevidade nos seguros de saúde tem um impacto relevante, até porque uma maior longevidade significa na prática um envelhecimento e encarecimento da carteira de clientes. “Começamos a ter uma procura de população mais idosa e temos de ter propostas do ponto de vista financeiro que sejam atrativos para elas. Quanto mais idosa ficar a nossa carteira, mais custos vamos ter”, referiu.
Na conversa com Afonso Themudo Barata, CEO da Mudum, e Pedro Martins, professor da Nova SBE, Eduardo Consigliero Pedroso mostrou-se preocupado com o facto de a doença crónica em Portugal já ser uma das mais altas da Europa, algo que vê refletido nas carteiras de clientes da seguradora.
“O setor tem de estar preparado para este problema que vai continuar a existir e a crescer se não conseguirmos mudar os hábitos da população, começando pelo exercício e uma nutrição mais adequada”, diz.
Pedro Martins considera que o país vive um contexto desafiador, evidenciado pelos números. “Em 2024 tínhamos uma idade mediana de trabalhadores de 42 anos e o número de trabalhadores com mais de 65 anos no setor privado era de 2,3%”, aponta. “Tínhamos 87 mil trabalhadores com mais de 65 anos no país”, sublinha. Uma realidade que não se coaduna com o futuro.
As seguradoras têm de antecipar o que aí vem. Asociedade também, diz Afonso Themudo Barata, CEO da Mudum.
Pedro Martins defende, por isso, incentivos para “um maior envolvimento das empresas com os seus trabalhadores, naquilo que é a sua saúde”, assim como procurarem um alinhamento entre a perspetiva social e privada.
Principal missão será mudar mentalidades
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Especialistas defendem que esse movimento tem de acontecer, mas é necessária a criação de um ecossistema na saúde: que as seguradoras passem a ser prestadoras de cuidados de saúde.