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O mestrado em que o retorno multiplica por dez o investimento

O país que viveu o calvário da bancarrota é, década e meia depois, uma potência mundial no ensino das Finanças, onde um mestrado pode dar um salário de 140 mil euros.

Há uma palavra que hoje em dia é indissociável das escolas de negócios: mestrado. Indissociável porque como ferramenta de formação valoriza a empregabilidade num mundo em que a aprendizagem se faz ao longo da vida, porque constitui uma parte importante da receita das instituições.
As escolas de negócios são fábricas de talento. Portugal tem seis destas fábricas de escol, reconhecidas no mundo, competitivas e atrativas pelo rácio custo-benefício (value for money) dentro e fora de portas.
  Primeira entre pares, a Nova SBE oferece o mestrado estrela: oitavo no mundo, na avaliação externa (Financial Times Masters in Finance Ranking 2026). Custa 13.250 euros. Puxado? Até pode ser. No país, o salário mediano não vai muito além dos 1.200 euros. Porém, importa realmente olhar para lá do curto prazo. O mestrado garante 150.126 dólares (138 mil euros) de remuneração média três anos após a conclusão do curso. Isto é, um retorno que supera em mais de 10 o investimento realizado.
  O congénere da Católica-Lisbon dará um pouco menos. Em todo o caso mais de 100 mil dólares, para uma propina de vinte mil, a mais elevada na área. Mesmo o centenário ISEG, que chegou mais tarde à alta roda dos rankings, garante perto de 84 mil dólares (72,8 mil euros) por ano. Nenhuma das portuguesas listadas no top dos mestrados do FT proporciona menos de 50 mil dólares (43,3 mil euros) de remuneração média por ano.
  Façamos uma simples conta de dividir: 56.452 dólares (retorno apontado no FT para o Mestrado da FEP) por 14 meses. O resultado é uns 4.032 mensais. Bem mais do que será o salário médio do mestre em Gestão e Administração (o mais próximo de finanças), estimado em 14,4 €/hora, segundo um estudo recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Portugal é hoje uma potência mundial no ensino de Gestão e de Finanças. Não deixa de ser irónico acontecer num país que mergulhou três vezes na bancarrrota em 50 anos (1977, 1983 e 2011) e segue na cauda da Europa em termos da literacia financeira da sua população.
  Não sendo o único país com um histórico de falência e crises de dívida com escolas de gestão e negócios prestigiadas, Portugal destaca-se pela quantidade de instituições de qualidade. Embora, em rigor, não se possa estabelecer um link entre bancarrota e ensino de Finanças, dá que pensar.
Como dão que pensar os resultados obtidos por este “segundo” Portugal, um país de 92 quilómetros quadrados e 11,4 milhões de pessoas que bate todos os congéneres de dimensão e população semelhantes ao classificar seis mestrados em Finanças entre os 70 melhores do mundo na principal montra de avaliação externa. Suécia, o país que mais se aproxima em termos de população, tem dois. Hungria (9,6 milhões de habitantes) e Bélgica (11,8 milhões) um cada. Suíça: 9,1 milhões e três programas, dá luta, mas até a vizinha Espanha e a populosa Alemanha são ultrapassadas. De galo só canta a França (12 mestrados), os Estados Unidos (sete) e o Reino Unido (13).
  A lâmpada do mágico encontra-se na reforma de Bolonha, assinada em 1991. Reduziu a duração da licenciatura em dois anos, generalizando o acesso e a oferta de mestrados, que, na prática, consomem esses dois anos. No mercado de trabalho, o mestrado é agora o novo padrão de especialização competitiva. A área de Finanças oferece um um grande leque de oportunidades de carreira... bancos de investimentos e consultoria, private equity, gestão de ativos, private banking. Menos de 3% trabalham em contabilidade, segundo um estudo recente do GMAT, responsável pela prova de admissão pedida por muitas escolas de negócios, pouco mais da metade reporta crescimento nas inscrições nos mestrados em Finanças. Em Portugal não costumam sobrar vagas.
  As business schools, designação que a maior parte das faculdades de Economia adotou entretanto, comercializam os mestrados a preço premium. A qualidade do produto e a marca assim o ditam. Das seis portuguesas, metade cobra pouco menos de oito mil euros de propina para estudantes nacionais e da União Europeia. E só a Faculdade de Economia e Gestão da Universidade do Porto, que continua a usar a nomenclatura, cobra indiferenciadamente 1.500 euros.  
  Nas salas de aulas de hoje, a caneta e o papel caíram em desuso e o computador portátil ocupa o lugar central. Tudo mudou muito, para alunos e professores. Estamos numa nova era, a da Inteligência Artificial. O que vai distinguir quem fez este curso no mercado de trabalho? Como estão a dar aos estudantes um sentido de realidade para lidar com contextos cada vez mais incertos? - perguntámos aos responsáveis das escolas com lugar no ranking dos Mestrados em Finanças do FT 2026. Veja o que nos responderam.

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