O euro digital vai mesmo avançar e, depois de vários passos legislativos para lançar os primeiros testes, estes devem começar a correr no próximo ano. A ausência de um sistema de pagamentos europeu dominante é vista como uma fragilidade do bloco, sobretudo numa altura em que os EUA têm vindo a usar política económica como uma arma diplomática, mas, para muitos cidadãos, as questões superam ainda as respostas.
Nos últimos meses, as instituições europeias deram passos subtis, mas determinantes para o avanço do projeto do euro digital. Primeiro, a Comissão de Economia do Parlamento Europeu aprovou, no final de junho, a proposta para criar uma divisa digital apoiada pelo banco central (CBDC, em inglês); mais recentemente, já em meados de julho, foi a vez do plenário aprovar o arranque das negociações com o Conselho da UE para avançar com esta iniciativa.
Simultaneamente, o Eurogrupo, que reúne os ministros das Finanças dos Estados-membros, delineou os princípios que considera fulcrais para a definição de uma política concisa e clara quanto à finança digital, mostrando confiança que “a UE pode ser um líder” nesta área.
Um dos aspetos positivos vistos pelo grupo é que “a tokenização ou a tecnologia de registo distribuído (DLT) podem ajudar a acelerar a nossa integração”, isto numa geografia onde a fragmentação entre Estados-membros é vista como uma fragilidade estrutural. Por outro lado, estas abordagens podem ainda “oferecer melhorias tangíveis às funções dos nossos sistemas financeiros”, sobretudo ao nível da rapidez, agilidade e facilidade de resolução de disputas.
Finalmente, o Banco Central Europeu (BCE) fez saber que países e bancos farão parte do piloto, que seguirá no próximo ano. Serão 36 fornecedores de serviços de pagamento de 16 países da zona euro, incluindo Portugal, representado via BCP, Caixa e Unicre. A fase de testes envolverá todos os bancos centrais do bloco da moeda única e permitirá aos seus trabalhadores utilizarem uma versão beta do euro digital para efetuarem pagamentos nas instalações das autoridades monetárias, como os seus refeitórios, cafés ou até mesmo para transferências entre staff.
Euro digital: nova arma financeira
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Legisladores deram passos importantes nas últimas semanas para tornar o projeto uma realidade, mas subsiste desconfiança entre os cidadãos, sobretudo no que respeita à privacidade. O próximo ano é de testes, com bancos portugueses incluídos.