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Norte precisa de reter talento para ganhar competitividade

No debate foi traçado o diagnóstico para uma maior cooperação institucional e uma nova abordagem à formação ao longo da vida

Portugal está a formar gerações cada vez mais qualificadas, mas continua a ter dificuldades em reter e recuperar talento. Os salários são parte do problema, mas também a organização das empresas, as condições de trabalho e a insuficiente articulação entre universidades, instituições públicas e tecido empresarial. O diagnóstico foi traçado durante a conferência no Porto, onde foi defendida uma maior cooperação institucional e uma nova abordagem à formação ao longo da vida.
“Eles, muitas vezes, não regressam, não é apenas por causa dos salários, é por causa dos ambientes organizacionais e profissionais que temos”, afirmou Pedro Nuno Teixeira, reitor da Universidade do Porto, referindo-se aos profissionais qualificados que desenvolvem a sua carreira no estrangeiro.
A capacidade de formar talento aumentou significativamente na última década. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a percentagem de jovens portugueses entre os 25 e os 34 anos com formação superior passou de 33%, em 2015, para 43%, em 2025. Apesar do progresso de 10 pontos percentuais, Portugal continua abaixo da média da organização, de 47%.
O aumento das qualificações não resolveu, contudo, os problemas de produtividade e de valorização das competências. As empresas precisam de incorporar conhecimento e tecnologia, enquanto as universidades enfrentam o desafio de adaptar a sua oferta formativa às mudanças no mercado de trabalho.
Pedro Nuno Teixeira defende que é necessário abandonar a ideia de que a educação termina com a entrada na vida profissional. “Continuamos a entender que a formação é algo que fazemos no início da nossa vida profissional ou antes da nossa vida profissional e depois acabou”, criticou.
A transformação tecnológica reforça esta exigência. A inteligência artificial está a alterar processos produtivos, modelos de negócio e profissões, obrigando empresas e trabalhadores a atualizar continuamente as suas competências.
“Quando necessitamos de incorporar tecnologia, quando hoje o desafio da inteligência artificial é uma realidade do presente e do futuro, é claro que precisamos de qualificar, precisamos de requalificar pessoas”, afirmou Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP).
Os dados da OCDE mostram que a formação contínua ainda tem margem para crescer. Em Portugal, 47% dos trabalhadores entre os 25 e os 44 anos participaram em educação ou formação não formal em 2023, contra uma média de 52% na OCDE. Entre os 45 e os 64 anos, a diferença é mais acentuada: 36% em Portugal, face a 45% na organização

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