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Julius Baer chega a Lisboa com meta de liderar Wealth Management

Portugal vale mais para a gestão de fortunas do que a sua dimensão sugere. É essa a convicção do Julius Baer, que abriu a sua sucursal em Lisboa com planos para crescer mais.

O banco privado suíço Julius Baer marcou presença em Lisboa esta quarta-feira, numa abertura formal da sua sucursal que representa um passo estratégico para reforçar a aposta no mercado ibérico.
Num encontro com jornalistas, José Maria Cazal-Ribeiro (Market Head Portugal) admitiu que gostaria que o Julius Baer se tornasse “a referência em wealth management em Portugal, tanto para clientes como para colaboradores do banco”.
O grupo bancário fundado em 1890, com sede em Zurique e especializado em wealth management para clientes privados e institucionais — abriu em Lisboa e já conta com 21 colaboradores e querem aumentar mais o quadro de pessoal.
Os responsáveis do banco, partilharam com jornalistas os detalhes da operação e os planos ambiciosos para o mercado português. O Julius Baer, através da sucursal em Lisboa, tem como objetivo tornar-se líder da gestão de fortunas num mercado que conta já com concorrentes internacionais de peso, como os suíços UBS, Edmond Rothschild ou EFG.
Gonçalo Maleitas Correia, Team Head Portugal Domestic, destacou que Portugal é hoje uma peça-chave no desenvolvimento do mercado ibérico, salientando que, “apesar de Espanha ser cerca de cinco vezes maior e provavelmente ainda mais em termos de riqueza, o peso de Portugal no Julius Baer é superior ao seu peso proporcional”.
“O nosso mote é ‘creating value beyond wealth’”, acrescentou.
Os clientes do banco em Portugal têm, no mínimo, 2 milhões de euros sob gestão — o que, segundo José Maria Cazal-Ribeiro implica que disponham de cerca de 6 milhões de euros em liquidez. Em média, cada cliente tem 4 milhões de euros sob gestão.
Numa altura em que Portugal atrai cada vez mais residentes estrangeiros, o Julius Baer vê nessa tendência uma oportunidade de crescimento. Atualmente, cerca de 10% dos clientes não são portugueses, e os gestores do banco estão convencidos de que, nos próximos cinco anos, essa percentagem poderá subir para cerca de 30%.
Para ajudar a cumprir o presságio, o banco está a planear lançar um “desk” dedicado especificamente a clientes brasileiros. Isto depois de o Grupo ter vendido a operação no Brasil ao BTG Pactual. José Maria Cazal-Ribeiro prevê um negócio “muito forte” com milionários brasileiros.“Vamos abrir um ‘desk’ Brasil.
À escala global, o Julius Baer mantém uma posição sólida. O grupo gere 521 mil milhões de francos suíços em ativos (dados de 2025) opera em cerca de 25 países e tem as suas ações cotadas na bolsa de Zurique (SIX Swiss Exchange), onde integra o Swiss Leader Index.
Apesar de não divulgarem o número de clientes ou montantes de ativos sob gestão, indicam que o banco é atualmente responsável pela gestão de 540 mil milhões de francos suíços, dos quais 31% dizem respeito à Europa. “A Península Ibérica é um dos mercados ‘core’ e nós hoje somos claramente uma peça chave no mercado ibérico”, disse Gonçalo Maleitas Correia.
Somos uma ponte para outros países”, explicou por sua vez José Maria Cazal-Ribeiro, acrescentando que nos planos, a prazo, está ainda abrir um segundo escritório no Porto, “quando se justificar”-
O banco explica ainda que “tem apenas 20% de gestão discricionária (quando o benchmark seria 25%), sendo que os restantes 80%, que representam a maior parte do negócio, correspondem a advisory, ou seja, a decisão é tomada pelo cliente”, acrescentaram os gestores durante o encontro com jornalistas.
“O banco é extraordinariamente conservador”, afirmou o responsável em Portugal.

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