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Já não há “guerras justas” para a Igreja

A encíclica Magnifica Humanitas marca uma das mais profundas alterações na Doutrina Social da Igreja: a rejeição explícita do princípio da “guerra justa”. Leão XIV rompe com uma tradição que remonta a Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, segundo a qual a guerra poderia ser moralmente tolerável em circunstâncias extremas. Hoje, o Papa considera que essa lógica tornou‑se insustentável.

“Não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável”, diz. A frase, que já entrou no debate internacional, sintetiza a posição do Papa num mundo em que os conflitos se multipliaram a subiram de intensidade, e emq ue o esforço militar é marcado por armas autónomas, IA militar e destruição massiva. A guerra deixou de ser um instrumento político justificável.
A tecnologia, diz o Papa, tornou o conflito “mais rápido, mais impessoal e mais distante da responsabilidade humana”.
A encíclica denuncia ainda a “reabilitação da guerra como instrumento de política internacional”, criticando o que chama de “falso realismo” das potências que apresentam o conflito como inevitável. Para Leão XIV, a verdadeira irresponsabilidade está na normalização da violência e na crença de que a segurança se constrói através do medo.
Ao rejeitar a guerra justa, Leão XIV não propõe pacifismo abstrato, mas uma ética política exigente. Convida “todos a refletir sobre formas de cooperação e sobre instituições internacionais mais eficazes, capazes de salvaguardar o bem comum global sem anular a legítima pluralidade dos povos e dos Estados”. A encíclica coloca a responsabilidade não apenas nos Estados, mas também nas empresas tecnológicas.

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