No n.º 87, o Papa afirma que a corresponsabilidade exige “organismos de participação reais, e não meramente nominais”. A crítica é direta a muitos conselhos paroquiais e diocesanos que existem apenas no papel, sem influência efetiva. Leão XIV quer que os fiéis deixem de ser espectadores e passem a integrar, de forma vinculativa, o discernimento e a decisão pastoral. É uma viragem clara contra o clericalismo.
Mas é no n.º 89 que surge a proposta mais sensível: “Devem promover‑se formas regulares de avaliação do exercício das responsabilidades ministeriais”, refere o texto. A ideia de avaliar padres pode parecer estranha numa instituição habituada a uma autoridade quase intocável. Contudo, o Papa insiste que esta avaliação não é um julgamento, mas um “instrumento de aprendizagem e de correção”.
A reforma da avaliação dos padres e da maior participação dos fiéis
/
A Magnifica Humanitas está a ser lida como uma das encíclicas mais reformadoras das últimas décadas. Dois números discretos — o 87 e o 89 — podem transformar profundamente a governação interna da Igreja. Um aborda a participação real dos leigos nos processos de decisão, o outro a avaliação regular dos padres. Juntas, estas propostas desenham uma mudança estrutural que responde tanto a desafios pastorais como à crise dos abusos sexuais.