Portugal vai continuar a crescer no setor do turismo em 2026, embora com sinais de abrandamento. Uma perspetiva que será transversal a todo o mundo, de acordo com Cristina Siza Vieira, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), sustentada pelo conflito sem fim à vista no Médio Oriente.
“Isto vai abrandar para todos. Há um nível muito elevado de incerteza. Sem sabermos a duração do conflito, a curto-médio prazo há muitas nuvens no horizonte. Continuamos a acreditar que em 2026 o turismo de Portugal continuará a crescer, mas com um claro abrandamento”, disse na apresentação do inquérito da AHP sobre o balanço do Carnaval e Páscoa.
Em 2025 o turismo português bateu todos os recordes com subidas de 5% nas receitas para 29 mil milhões de euros, de 2,2%, para 82,1 milhões de dormidas e de 3%, para 32,5 milhões de hóspedes,
Para este ano, a expectativa da presidente da AHP é de que possa existir um crescimento de 2,5% nos hóspedes, 1,7% de dormidas e 3% em receitas.
“Os fatores de instabilidade e indefinição são demasiado grandes. Temos de ter alguma prudência. O mercado interno será muito importante”, afirmou.
Ouvido pelo JE, Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), refere que o conflito no Médio Oriente não pode levar a que se caia “numa leitura oportunista” para o nosso país.
“O principal efeito desta crise não é um ganho automático para Portugal, mas sim mais incerteza, mais perturbação operacional e maior prudência por parte de quem viaja”, refere.
Para o presidente da APAVT se esta instabilidade se prolongar, Portugal poderá surgir para alguns mercados “como uma alternativa segura”, nomeadamente o Reino Unido, a Alemanha, a França ou Espanha.
“São mercados que já conhecem o destino e têm boa acessibilidade aérea”, salienta, dando o exemplo dos turistas britânicos que estão a desviar-se do Médio Oriente para destinos mediterrânicos como Portugal, Espanha e Grécia, após os cancelamentos da British Airways para a região.
“A easyJet também reconheceu esta semana que Portugal, Espanha e Grécia continuam com procura forte, mesmo com a guerra a afetar outros mercados mais próximos da zona de tensão”, sublinha.
Os turistas alemães e ingleses são aqueles que mais têm sido redirecionados para outros destinos pelos operadores de viagens, entre os quais se destaca Portugal.
“Não podemos esquecer que quer Inglaterra, quer Alemanha, emitem para o Médio Oriente perto de 4 milhões de turistas por ano que neste momento estão a deixar de ir”, diz ao JE, Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV).
O presidente assume que existe um crescimento muito grande nas capitais europeias de volume na procura do lado turistas e de crescimento das reservas e não tem dúvidas de que Portugal vai naturalmente sair beneficiado de toda esta situação.
“Temos percebido que há um crescimento das reservas para Portugal, não conseguimos ainda precisar valores. Estamos a falar essencialmente de Lisboa, Porto e Algarve, mas não quero estar a arriscar um número”, afirma.
Hotelaria alerta: turismo “vai abrandar para todos”
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Portugal surge como “alternativa segura” para os turistas europeus numa altura de conflito no Médio Oriente. Presidente da AHP já vê, no entanto, sinais de abrandamento no setor do turismo.