A Europa vai ser atingida por escassez de combustível em abril,se a guerra não acabar até lá. Até agora, o mais afetado foi o combustível para aviões, mas o gasóleo está em risco, com a gasolina depois.
Oaviso foi feito pelo presidente de uma das maiores petrolíferas mundiais, Wael Sawan. “Os países não conseguem ter segurança nacional sem segurança energética”, disse o gestor esta semana citado pela “Reuters”.
Também a ministra da Economia da Alemanha avisou para esta possibilidade apontando para final de abril ou maio, se, mais uma vez, o conflito não terminar até lá.
“Eles lutam mal, mas são grandes negociadores e estão a implorar por um acordo”, disse, por sua vez, Donald Trump na quinta-feira. A proposta dos EUA já foi revista por Teerão que a considerou desapropriada e que só serve os interesses dos EUA e de Israel.
Os mercados globais de petróleo têm vivido em permanente sobressalto desde o início da guerra. Volatilidade é a nova palavra-chave. Estão ansiosos, reagem nervosamente, rapidamente, a cada nova notícia vinda de Washington ou Teerão. Entretanto, a crise energética instalou-se de vez a nível global, sem paz à vista.
Um exemplo: a 9 de março, o preço do barril de Brent disparou para os 119 dólares, antes de cair para os 84 dólares, na maior flutuação diária de sempre.
Obarril estava a negociar nos 100 dólares ao final da tarde de quinta-feira.
A guerra já provocou danos de 25 mil milhões de dólares a infraestruturas energéticas, como refinarias e fábricas de gás líquido, segundo a Rystad.
“Cada crise, cada guerra cria volatilidade nos nossos mercados e encontramos fontes de rendimento a partir disto. Beneficiamos com o caos. Pode ser difícil de perceber, e é por isso que o nosso microcosmo permanece muito secreto”, contou uma trader ao “Le Monde”.
Entretanto, nos EUA a taxa de aprovação de Donald Trump atingiu um novo mínimo desde o seu regresso à Casa Branca.
Num dos mais importantes encontros anuais do setor petrolífero que teve lugar esta semana, ficou exposto a diferença de narrativas entre a Casa Branca e outros países.
“Os mercados fazem o que fazem. Os preços subiram a enviar um sinal aos produtores para produzirem mais. Os preços ainda não subiram o suficiente para produzir a destruição da procura”, disse o ministro da Energia dos EUA esta semana.
Por sua vez, o presidente da petrolífera estatal de Abu Dhabi avisou para o aumento do “custo de vida para quem menos consegue suportá-lo e a abrandar o crescimento económico por todo o lado. De fábricas a quintas a famílias em todo o mundo, o custo humano está a crescer ao dia”, disse o sultão Al Jaber.
Europa ameaçada com escassez de combustível em abril
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O aviso é feito por uma das maiores petrolíferas mundiais , num momento em que a Ásia já sofre com escassez. Fim da guerra deverá ajudar a melhorar o fornecimento.