Os elevados custos de contexto que as empresas enfrentam em Portugal fazem-se sentir na habitação, dado o tempo associado aos licenciamentos e a imprevisibilidade e complexidade regulatória, que acrescem à elevada carga fiscal que incide sobre o setor. Mas não só. A crise habitacional acaba por afetar s decisões de investimento, porque não se cativa talento sem habitação e se o seu custo é elevado, as remunerações também o terão de ser.
É, portanto, preciso mais investimento, o que obriga também a compromisso e a cumprir os calendários definidos, sob pena de o país continuar a ver a produtividade a cair.
Quem o defende é Armindo Monteiro, presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, que aproveitou o encerramento da conferência Ano Zero da Habitação para dar esta nota. O representante dos patrões lembrou as dificuldades criadas pelos elevados custos de contexto na economia nacional, que têm impedido o país de conseguir angariar alguns projetos relevantes de investimento.
“Não fomos competitivos, não apenas nas condições que oferecíamos, mas no tempo que demoramos” em vários aspetos relacionados com estes projetos, o que levou a que o país acabasse preterido, em favor de outras localizações, que oferecem melhores condições.
“Isto são custos violentos”, defendeu, criticando a postura generalizada em Portugal, que se concentra frequentemente em “variáveis sobre as quais não temos qualquer capacidade de influência”.
Pelo contrário, há outras dimensões relevantes que, aponta, têm impedido o país de atingir um crescimento e produtividade mais relevantes: os impostos, a regulamentação e a transformação do setor da habitação, que é ainda frequentemente dominado por processos e métodos “arcaicos”. Todas, dimensões em que é possível ter intervenção.
Por outro lado, o que o país mais necessita continua a ser investimento.
“Confundimos o investimento produtivo, gerador de outros investimentos e proveitos, com despesas correntes”, aponta Monteiro. E, nesta dimensão, “tempo é dinheiro”, pelo que é fulcral uma consciencialização de que “o tempo é uma variável fundamental que tem um custo associado” e que é incorporado nas avaliações dos empresários.
“Temos de nos habituar a fazer um planeamento e a respeitá-lo”, diz, acrescentando ainda que “o que os empresários querem é um quadro normativo claro, o mais simples possível”.
Há impacto dos custos de contexto na decisão de investir.Habitação pesa
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Presidente da CIP argumentou que o país tem perdido projetos com as demoras no licenciamento à cabeça, e pediu mais planeamento e execução. “Não fomos competitivos”, lamentou.