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BPF: “Não há desafio no crédito à habitação”

Para Gonçalo Regalado, a banca tem feito um “trabalho notável” para garantir o acesso a crédito à habitação. Responsável elogiou garantia pública.

O presidente do Banco Português de Fomento (BPF), Gonçalo Regalado, elogiou o papel dos bancos no crédito à habitação. “Hoje há um desafio na habitação, mas temos que admitir que não há um desafio do crédito à habitação”, disse Gonçalo Regalado. O CEO do BPF acrescentou que a banca tem feito um “trabalho notável” a enquadrar junto das regras macroprudenciais “para garantir que os portugueses e os novos portugueses têm acesso a crédito à habitação”. “Portugal teve uma medida que eu acho que foi notável e que permitiu aos jovens terem garantia pública para se financiar a 100% na compra de casa, permitindo aos jovens ter acesso à habitação e com isso evitamos muita emigração porque a alternativa para um jovem que não tem emprego, não tem habitação, não tem futuro, é emigrar”, defendeu Gonçalo Regalado.
A crise da habitação em Portugal tem sido amplamente debatida com foco na oferta, salientou. Mas, para Gonçalo Regalado, o diagnóstico exige um olhar mais profundo sobre a estrutura de financiamento e sobre a procura. Perante uma população de 11,4 milhões de pessoas, a pressão demográfica obriga a respostas públicas e privadas diferenciadoras. A habitação, defende, é um direito e, por isso, uma responsabilidade do Estado. O CEO do BPF citou a recente revelação do INE de que a população residente em Portugal chegou em 2025 aos 11.424.031, o maior número de que há registo.
Os dados do INE revelam que a 31 de dezembro do ano passado, viviam em Portugal 1.597.539 estrangeiros. O número de imigrantes mais do que duplicou entre 2021 e 2025, contribuindo para o aumento da população. Ou seja, a população residente em Portugal atinge número recorde de 11,4 milhões, sendo que os imigrantes são 14% do total. O aumento da população residente torna mais urgente a oferta de habitação.
O CEO do Banco de Fomento lembrou também que assinou com o Instituto de Crédito Oficial (ICO) de Espanha um memorando de entendimento para reforçar a cooperação em áreas como a habitação social, o arrendamento acessível. “Os nossos vizinhos estão a densificar um fundo que é o Espanha Cresce, com 24 mil milhões de euros para a habitação, e estão a densificá-lo com vários instrumentos de garantia, de crédito, de capital, de quasi-capital e fundos de infraestruturas, e eu acho que temos de olhar de uma forma estrutural”, disse. O presidente do BPF defendeu que tem de assumir um papel estruturante na resposta à crise habitacional em Portugal, articulando garantias públicas com a banca comercial, as autarquias e os promotores privados.

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