AGalp começou a produzir petróleo em Angola em 1982. Passados 42 anos, acabou por deixar a exploração no país lusófono, em 2024. Para trás, deixou um legado de décadas e o país do seu maior acionista: a petrolífera estatal angolana Sonangol, com 17% do capital apenas atrás da família Amorim com 21%.
Mas passados dois anos, a relação está em vias de ser retomada, revelou o presidente da Sonangol.
“Ainda recentemente tivemos uma delegação da Galp, que depois de ter saído, voltou e quer investir connosco nas áreas de exploração e produção”, disse o presidente da Sonangol Sebastião Gaspar Martins (ver páginas 36 a 42).
A Galp vendeu os seus últimos projetos petrolíferos em Angola à petrolífera privada angolana Etu Energias por 830 milhões de dólares.
Os mais de 70 blocos petrolíferos licitados nos últimos anos em Angola vão gerar mais de 70 mil milhões de dólares de investimentos no país lusófono que pretende continuar a lançar novas concessões até ao final da década.
OJEpediu um comentário à Galp, mas não obteve resposta.
Neste momento, a empresa portuguesa mantém apenas presença no setor de distribuição de combustíveis num consórcio com a Sonangol, a Sonangalp.
É uma “empresa irmã”, considerou o executivo, que está também na exploração e produção, assim como nas energias renováveis, considerando a parceria positiva, apesar de ter havido “momentos bons e maus” ao longo dos anos.
A Galp só produz atualmente petróleo e gás no Brasil. Está presente na Namíbia e em São Tomé e Príncipe, mas ainda em fase de pesquisa de petróleo, sem data para o arranque da fase de produção.
Sebastião Gaspar Martins ainda abordou a participação da Sonangol no BCP. “Adquirimos a participação no BCP, tivemos um momento em que fruto da desvalorização no próprio mercado, as ações foram caindo, se tívessemos sido precipitados, não estaríamos a ver o bom momento de ter atingido acima de um euro por ação. Não vamos sair desta oportunidade com o BCP”. Resumindo, a Sonangol considera ter uma “presença muito valiosa em Portugal” com a participação indireta de 17% na Galp e de quase 20% no BCP.
O presidente da petrolífera estatal também revelou que a Mota-Engil e a Sonangol querem “reavivar um estaleiro naval para apoio e manutenção da indústria petrolífera”.
“Sentimos uma grande possibilidade de transformar a região sul de Angola, o Kwanza Sul. Vamos investir com possibilidade de levarmos para este estaleiro a construção de componentes de navios em Angola, que estamos a fazer agora na Coreia do Sul”, explicou.
A Sonangol conta com 10 navios Suez Max e dois estão a ser renovados agora na Coreia do Sul. A ideia será fazer este trabalho em Angola com a Mota-Engil. O objetivo é “alguns desses componentes serem construídos nesse estaleiro”.
Angola atingiu um pico de produção de petróleo de dois milhões de barris diários em 2008, mas tem assistido a um recuo na produção, com o declínio natural dos campos. Atualmente, produz um milhão de barris.
Uma das empresas que regressou ao país recentemente foi a britânica Shell, após uma ausência de 20 anos, para desenvolver 17 blocos em águas ultraprofundas, um investimento inicial de quase mil milhões de euros.
“Angola continua a ser um bom local para se poder investir”, afirmou o líder da Sonangol, considerando que existem “oportunidades de investimento ao nível de todo o portfólio”.
“Angola é estável em termos de estabilidade contratual”, garantiu, apontando para as suas 41 concessões petrolíferas.
Galp prepara regresso ao petróleo em Angola
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Ao fim de várias décadas no país, a Galp acabou por sair da produção petrolífera em 2024, mas agora está interessada em voltar, revelou presidente da Sonangol. acionista de referência.