Choques provocados pelas alterações climáticas, pressões económicas e incerteza geopolítica. Tudo isto preocupa os agricultores, que querem encontrar soluções para aumentar a resiliência do setor para enfrentar acontecimentos inesperados.
A indústria agroalimentar precisa de água para crescer de forma sustentável, é necessário mais conhecimento, investigação, inovação e tecnologia para ser mais eficiente no uso dos recursos, é necessário que isso seja feito sem afastar ou penalizar o investimento e são precisas pessoas que respondam à necessidade das empresas e que sejam plenamente integradas e que possam viver em Portugal como cidadãos de pleno direito.
Esta é a base para fortalecer o negócio e serão, também, os temas em debate no 8º Colóquio Hortofrutícola da Lusomorango, que se realiza esta sexta-feira, 17 de julho, em Odemira, sob o lema “Reconstruir, Produzir, Crescer”.
Quando se fala de choques, não se esquece a depressão Kristin e o impacto económico que provocou nas empresas, bem como a resiliência necessária no domínio das políticas públicas necessárias agora e no futuro. “Vamos debater como é que as empresas podem ser mais resilientes para este tipo de fenómenos que se vão tornar mais frequentes e como é que as políticas públicas podem ajudar”, diz Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango, ao Jornal Económico (JE).
No evento, será ainda apresentado o plano de gestão ambiental da Lusomorango, que está a ser definido para ser adotado por todos os produtores e que vai envolver a certificação da pegada hídrica, carbono e ecológica. “Achamos que esta promoção da biodiversidade, da compatibilização desta nossa atividade económica com o meio envolvente, torna as nossas explorações mais resilientes e mais preparadas para fenómenos como aqueles que vivemos este ano”, explica.
Num terceiro painel, vai ser debatido o papel da Europa na produção de alimentos, como bloco importador e exportador e haverá a transição para perceber que Portugal também tem que estar alinhado nesta estratégia em que é necessário produzir mais alimentos, por uma questão de soberania europeia, mas de forma mais sustentável. Joel Vasconcelos sublinha que estes produtores querem “produzir mais, com mais ambição, mas com foco no bom uso dos recursos, nomeadamente da água como fator de contexto mais importante”. Os produtores da Lusomorango veem com muito agrado a estratégia nacional que foi definida - “Água que Une” – e que está em implementação e essas orientações serão analisadas com a presença de Macário Correia, presidente da AdP Áqua que vai implementar essa estratégia: “Não pode ser só obra, tem que haver um modelo de gestão diferente para que este recurso possa responder aos diferentes usos – doméstico, industrial e agrícola - de forma eficiente”, avisa Joel Vasconcelos.
Para além da água, há também a questão do conhecimento já que os produtores só conseguirão produzir mais utilizando menos recursos com mais tecnologia e conhecimento no método de produção. Nesse campo, o INIAV vai transmitir neste colóquio todo o trabalho que está a fazer para responder a este desafio de forma mais sustentável.
Outro fator relacionado com a simplificação dos procedimentos tendo em conta o custo que é colocado do lado do empresário quando quer concretizar um processo. Os inúmeros pareceres pedidos por parte de várias entidades “afastam a vontade de querer fazer”, lamenta este responsável e o país “tem de resolver o problema do excesso de burocracia para que qualquer atividade económica possa ser desenvolvida. Daí a presença do diretor do ICNF, que é o organismo da administração pública que mais impacta na burocracia e na simplificação.
Agricultura quer ser mais resistente aos choques
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Água, conhecimento, investigação, integração. Pessoas. E políticas públicas. Estes são os aspetos que tornam o setor mais resiliente.