A Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2) vai ser revista. O ministério do Ambiente e da Energia quer um plano mais focado nos projetos que geram mais valor para o país. “A EN-H2 encontra-se atualmente em fase de revisão, no sentido de refletir aquilo que tem sido a evolução recente do mercado e de garantir o alinhamento com aquilo que o Governo entende ser a melhor forma de gerar e aproveitar valor acrescentado para o país”, disse fonte oficial da tutela de Maria da Graça Carvalho ao JE. A tutela não quis comentar quando questionada se a revisão será em alta ou em baixa.
O Governo atual reviu em baixa a meta anterior que tinha sido estabelecida pelo executivo de António Costa: de 5,5 gigas para 3 gigas. Segue-se um novo corte nas metas? Há alguns sinais no ar. O mercado do hidrogénio dá mostras de abrandamento face à ambição que tinha até há pouco tempo. A Agência Internacional de Energia (IEA) reviu recentemente em baixa a sua previsão de capacidade instalada até 2030: de 49 milhões de toneladas por ano (Mtpa) para 37 milhões. Apenas 9% dos projetos neste pipeline já atingiram a decisão final de investimento. Os dados nacionais também demonstram um abrandamento. Dos 144 projetos de hidrogénio verde submetidos à DGEG, 28% foram autorizados, com 15% indeferidos, 24% cancelados e 25% caducados.
“Não desistimos de nenhum projeto de hidrogénio. A grande vantagem de Portugal produzir hidrogénio verde é atrair as indústrias que precisam dele, porque o hidrogénio é difícil de transportar”, garantiu a ministra do Ambiente e da Energia Maria da Graça Carvalho ao JE.
Mas os custos elevados de produção e a dificuldade de transporte obrigam a maior realismo neste momento em que a tecnologia não está tão desenvolvida como se desejaria.
Fontes do setor apontam que o futuro poderá passar por uma escolha mais cirúrgica, o que pode levar a menos potência instalada face a metas anteriores, mas que sejam realmente concretizadas. A aposta deve manter, mas realista, resumem.
No primeiro leilão do Banco Europeu de Hidrogénio, os projetos da Galp e da MadoquaPower2X foram selecionados. Também entre os Projetos Importantes de Interesse Europeu Comum (IPCEI), três projetos nacionais marcam presença: Hy2Tech da 1s1 Energy; Hy2Use da Bondalti; Hy2Infra da WinPower. Já o primeiro leilão de gases renováveis distribuiu 140 milhões. E três avisos, totalizaram apoios de 255 milhões para 277 MW de hidrogénio e gases renováveis.
Estratégia nacional em processo de revisão
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Objetivo é ter plano alinhado com o mercado e que os projetos gerem maior valor. Governo do PS estipulou inicialmente 5,5 gigas, mas executivo atual já cortou para três gigas de capacidade até 2030.