A economia europeia e as suas empresas têm resistido a sucessivos choques, deixando antever um crescimento robusto dos resultados nos próximos trimestres, sobretudo caso haja maior estabilidade nos preços da energia, que continua a ser o calcanhar de Aquiles do Velho Continente. Nos EUA, a tendência de queda do dólar deve ser contrariada este ano, mas o sector da inteligência artificial (IA) tem espaço para continuar a valorizar, tal como o dos semicondutores, embora numa perspetiva mais de longo prazo. E, para os investidores à procura de mercados emergentes, Taiwan e Coreia são obrigatórios, mas o Japão mantém o apelo apesar da depreciação do iene.
Em conversa com o JE, Mozamil Afzal, CIO do EFG, banco suíço com um foco na gestão de ativos, começou por projetar um crescimento “robusto” dos resultados das empresas europeias, isto apesar da subida de juros pelo BCE, que se explica pela “sensibilidade” da economia da zona euro a subidas com custos energéticos e pela necessidade de “evitar erros do passado”.
Como tal, o responsável do EFG diz-se “um pouco menos pessimista, comparando com outros mercados” quanto à Europa, mas serão os EUA a continuar a dominar – tanto do lado macro, como nas bolsas.
“As empresas norte-americanas têm sido as mais dominantes no mercado desde a crise financeira”, lembra, também a propósito da intenção de Bruxelas de fomentar uma União de Poupanças e Investimentos. “As vossas poupanças devem ser investidas nalgumas das empresas que mais crescem, para que possam beneficiar com isso. Parece-me uma boa medida.”
Ainda assim, o dólar está numa tendência de queda – um ciclo que a EFG havia já previsto há três anos, apontando uma desvalorização de cerca de 40% num ciclo de oito anos. “Na altura, espantámos muita gente”, refere, mas lembrando que a divisa já perdeu cerca de 15% desde então.
E, “nesses ciclos de bear, […] há períodos onde pode valorizar e achamos que 2026 será um desses anos”, esclarece. Isto sobretudo por dois motivos: a economia norte-americana continua forte e a expectativa de cortes de juros este ano parece estar definitivamente contrariada.
“Achámos que as pessoas tinham ido longe demais [na expectativa de desvalorização]. Nos próximos seis meses, o dólar pode ganhar 2% ou 3%; em 2027, podemos ver a tendência novamente de queda”, explica.
EFG vê ‘earnings’ europeus “robustos” e EUA a dominar
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CIO do banco suíço crê no crescimento dos dividendos na Europa apesar da subida de juros e da tensão na energia, enquanto EUA mantém dominância apesar da perda de importância do dólar.