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Agravamento do conflito no Médio Oriente trava mercados

Esta semana foi marcada por uma ligeira correção dos mercados. O agravamento do conflito no Médio Oriente foi o catalisador para esta pausa.

O petróleo subiu cerca de 6 dólares por barril ao longo da semana, com o Brent a passar de 72 para 78 dólares e o WTI de Nova Iorque de 68 para 74 dólares. A subida foi impulsionada pelo reacender do conflito entre os EUA e o Irão, depois do ataque a petroleiros do Qatar e da resposta americana, interrompendo o cessar-fogo de 60 dias e comprometendo as negociações que estavam em curso. Os navios tinham começado gradualmente a passar pelo estreito de Ormuz desde meados de junho, depois de este se ter mantido praticamente bloqueado desde o início do conflito.
Antes de 28 de fevereiro atravessavam o estreito diariamente entre 120 e 140 navios, em ambos os sentidos, caindo depois esse número praticamente para zero durante vários meses. No final de junho já passaram 57 navios, incluindo não apenas porta-contentores com mercadorias, equipamentos, peças e maquinaria, mas também petroleiros, navios de LNG e produtos petroquímicos, cuja travessia envolve riscos acrescidos. O reacender do conflito voltou a comprometer a normal circulação no estreito. Regressaram, assim, os receios de uma reaceleração da inflação e de uma subida das taxas de juro.
Considerados bons indicadores das expectativas para a política monetária da Fed e do BCE, os rendimentos das obrigações do Tesouro a dois anos, tanto nos EUA como na Alemanha, o Bund alemão, principal referência da Zona Euro, subiram ligeiramente de 4,12% para 4,20% nos EUA e de 2,53% para 2,65% na Alemanha. Também os rendimentos a dez anos aumentaram, de 4,47% para 4,55% nos EUA e de 2,94% para 3,05% na Alemanha. A probabilidade de a Fed manter as taxas de juro este ano desceu ligeiramente de 22% para 17%. Porém, este ligeiro agravamento dos juros foi suficiente para espoletar uma ligeira correção nos mercados.
Taxas de juro mais elevadas penalizaram também o ouro. O custo de oportunidade de deter um ativo que não gera rendimento aumenta quando depósitos e aplicações de curto prazo passam a oferecer remunerações mais elevadas. Em períodos de maior incerteza, a procura por liquidez também tende a aumentar. Apesar disso, o ouro continua, no longo prazo, a ser um dos melhores ativos para proteção contra a inflação e preservação do património. A valorização superior a 100% no último ano ajuda igualmente a explicar alguma tomada de lucros, sobretudo quando as taxas de juro sobem. O ouro, enquanto ativo monetário, preserva riqueza, enquanto os ativos produtivos, como as empresas, criam riqueza. A desdolarização continua a ganhar força e deverá suportar o ouro no longo prazo. A China é hoje não só o maior importador mundial de ouro, mas também o maior produtor, e ao reforçar as suas reservas procura reduzir a dependência do dólar americano e evitar confiscos ocidentais.
Quanto à rotação setorial nos mercados acionistas, ela continuou esta semana. O índice acionista dos semicondutores de Filadélfia permaneceu volátil com oscilações de 5%, mas no final perdeu 1%, enquanto o software também caiu 1%, mas a evolução de ambos foi sendo alternada entre subidas de um índice e descida do outro. A divergência entre estes dois índices no setor tecnológico e ligados à IA tem refletido a aposta dos investidores entre os que vão ganhar mais, se serão as pás e picaretas, ou seja, os chips, ou se algumas empresas de software vão ter alguma dificuldade em rentabilizar os seus elevados investimentos em chips.

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