Foi um ano de 2025 marcado por “nuvens negras”, com muitas incertezas sobre a operação nos Estados Unidos da América. O primeiro ano de Donald Trump na Casa Branca foi uma montanha-russa de emoções para as companhias no mercado energético dos EUA, incluindo a EDP Renováveis (EDPR).
Mas passados 10 meses, existe agora “muito mais clareza sobre as renováveis e os EUA”, garante o presidente-executivo da EDP.
Prova superada. A aposta mantém-se em terras do Tio Sam, garante a companhia, que espera colher frutos da febre de Inteligência Artificial (IA) que será alimentada por centros de dados sedentos de energia.
“Temos a Google e a Amazon a ligarem-nos”, exemplificou Miguel Stilwell d’Andrade na quinta-feira em Londres durante a apresentação do plano estratégico da EDP para 2026-2028.
A capacidade de centros de dados deverá subir duas vezes nos EUA e na Europa até 2030, provocando um disparo pela procura de eletricidade.
A companhia já tem 3,3 gigas de contratos assinados com as big tech em todo o mundo, incluindo Amazon, Microfost, Google e Meta.
“Não é segredo que houve bastante turbulência na primeira metade do ano. Os créditos fiscais chegaram a estar em causa, mas mantiveram-se e com visibilidade até 2030, dando bastante estabilidade para os próximos cinco anos. A principal incerteza desapareceu”, afirmou.
O peso dos EUA no investimento total da EDPR até vai subir em 10 pontos para 60%: 4,5 mil milhões de euros. O plano total de investimentos da EDP para 2026-2028 vai ser de 12 mil milhões. O valor representa um corte face ao investimento de 25 mil milhões de euros previstos no plano divulgado em 2023, que foi sofrendo sucessivos cortes até atingir 14 mil milhões.
“Estamos a ser realistas, não estamos a ser conservadores e vamos construir a partir daí. Se houver procura, avançamos”, garantiu o gestor.
A mensagem para os investidores e partes interessadas foi simples: “Foco nas renováveis nos EUAe nas redes de eletricidade na Ibéria”, disse o gestor durante a apresentação do plano estratégico em Londres.
A meta para os próximos anos é construir 5 gigawatts de potência. Rotação de ativos? A previsão é encaixar 5 mil milhões.
“Não estamos pressionados por megawatts, preferimos retornos a construir megawatts. Cinco gigas é um número saudável”, disse Miguel Stilwell d’Andrade.
O gestor garante que não vai estar a comprometer-se com projetos adicionais perante o risco de falharem. “Se os projetos não estiverem lá porque o mercado vai cair…”, a EDP fica mais protegida, destacou.
A casa-mãe EDP vai investir 12 mil milhões brutos entre 2026 e 2028, incluindo 7,5 mil milhões de euros na EDP Renováveis, com a aposta em eólica, solar e sistemas de armazenamento com baterias, com 60% destes nos EUA.
Já 3,6 mil milhões de euros destinam-se a redes de eletricidade, com dois terços a terem lugar na Península Ibérica, “continuando a reforçar o portefólio de produção flexível de eletricidade (flexgen) e clientes na Península Ibérica”.
EDP sobrevive a Trump e já tem a Google e a Amazon a ligar
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Foi um ano marcado por muita incerteza nos EUA, o mercado mais importante para a EDPR, mas a companhia vai subir a aposta no país, com centros de dados das ‘big tech’ sedentos de energia.