É mais uma voz do setor do turismo a manifestar preocupação com o cenário que se vive no controlo de fronteiras do aeroporto de Lisboa.
Ricardo Ferreira, CEO do Grupo Osíris, empresa especializada em viagens e eventos, fala “numa situação dramática” e de “pandemónio” para quem tem de lidar com este processo e que, por consequência, acaba por levar os turistas internacionais a escolherem outros destinos, dentro, mas também fora de Portugal.
“Não consigo mesmo perceber como é que não há uma solução. Não é um tema político, é um tema de coragem”, afirma em declarações ao Jornal Económico.
Um cenário que se arrasta desde há vários meses e que diz o CEO, acaba por ter impacto na atração do turismo internacional para o nosso país.
“Além de procurarem alternativas em Portugal, as pessoas, quando percebem que algo não funciona, procuram alternativas noutros países. É uma situação dramática, é grave e sinceramente causa-me bastante urticária”, refere, assumindo que a Osíris já teve de adaptar a sua estratégia, recomendando aos seus clientes que entrem em Portugal pelo aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.
“Alguém que vem dos Estados Unidos, que tem de fazer uma escala em Filadélfia ou Nova Iorque e que depois ao chegar a Lisboa ainda vai estar duas ou três horas naquele pandemónio de passar o controlo, apanhar as bagagens etc. Isto é uma má experiência”, salienta, realçando que esta situação se aplica também para quem viaja a partir de Portugal.
“Quem quiser viajar para fora do espaço Schengen é terrível. São duas horas de fila. As pessoas ficam numa ansiedade porque vão perder o voo, e percebem que não há nada a fazer”, sublinha.
Com presença no mercado português há 25 anos e três anos em Espanha, o Grupo Osíris engloba nove áreas de atuação, entre as quais o segmento ligado aos aviões privados.
O CEO defende que apesar do cenário que se vive atualmente com os preços dos combustivéis ser também um problema, o principal “drama” é outro.
“Temos um fluxo simpático, mas é um drama ter slots para a aviação privada”, refere, dando o exemplo do que aconteceu no ano passado com a Web Summit, onde muitos voos acabaram por aterrar em Espanha.
“Se queremos captar pessoas que vêm investir quantias significativas na Comporta, Cascais, Ericeira, Algarve, também temos que pensar que estas pessoas não querem só comprar uma casa. É preciso uma visão macro, ampla e adaptada ao que se pretende fazer agora e no futuro”, afirma.
Sobre a guerra entre os Estados Unidos e o Irão, revelou que Portugal e Espanha estão a competir com mercados, como Itália e outros países não latinos, mas que a Península Ibérica está ser beneficiada pelo facto de existir uma dispersão da procura que estava concentrada em países do Médio Oriente.
O CEO assumiu, no entanto, que está preocupado com o facto de a guerra já durar há muitos meses, o que acaba por ser negativo para este setor.
“Existem preocupações e era bom que se resolvesse isto o mais rapidamente possível para depois voltarmos a ter um lado natural de gestão de negócio”, conclui.
Controlos no aeroporto. “Não é um tema político, é de coragem”
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Ricardo Ferreira, CEO do Grupo Osíris, fala numa “situação dramática”, com as demoras no controlo de fronteiras do aeroporto Humberto Delgado. “É grave e causa-me bastante urticária”, afirma.