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Administração da SATA propõe venda de pelo menos 75% da Azores Airlines

A nova proposta para a privatização da SATA/Azores Airlines estabelece a venda de no mínimo de 75% do capital e salvaguarda dos postos de trabalho durante dois anos e meio

A proposta de caderno de encargos de privatização da SATA Internacional/Azores Airlines propõe a venda de pelo menos 75% da companhia e impede a extinção de postos de trabalho e despedimentos coletivos durante 30 meses.
Segundo o caderno de encargos proposto pelo conselho de administração da SATA ao Governo dos Açores, a que agência Lusa teve acesso, é estabelecido um modelo de “negociação particular” para a privatização da companhia aérea, que vai ter de ser concluída até final do ano, segundo o plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia. “A negociação particular concretiza-se através de um processo de alienação de ações representativas de participação não inferior a 75% do capital social da SATA Internacional, eventualmente acompanhada de operações de alteração da estrutura de capital”, lê-se no documento.
A venda de pelo menos 75% da empresa representa uma diferença face ao anterior concurso, que previa uma alienação mínima de 51% e máxima de 85%, um procedimento encerrado a 6 de março sem privatização, após o júri e a administração da SATA terem considerado que a proposta do Atlantic Connect Group, a única admitida, apresentava “riscos inaceitáveis”.
Na proposta de caderno de encargos, que vai ser apresentada em Conselho do Governo Regional, o comprador fica obrigado a “não proceder a despedimentos coletivos, nem à extinção de postos de trabalhos existentes na SATA Internacional durante um período mínimo de 30 meses” e a respeitar os acordos de trabalho em vigor.
O documento estabelece, também, as obrigações de manter durante o “período mínimo de 30 meses” a “sede e a direção efetiva” da companhia os Açores e as rotas de São Miguel e Terceira com Lisboa e Porto, bem como as ligações entre a região e os Estados Unidos e Canadá. O comprador fica obrigado ainda a manter o Certificado de Operador Aéreo (COA) na Azores Airlines durante o tempo mínimo de três anos.
O caderno de encargos sugerido define uma fase inicial para a qualificação dos interessados, uma segunda fase para apresentação de propostas não vinculativas e uma terceira fase de propostas vinculativas, prevendo, também, a possibilidade de existir uma “fase eventual de negociação final”.
Entre os critérios de seleção das propostas encontra-se o valor apresentado para a compra das ações, o “compromisso de contribuição para o reforço da capacidade económico-financeira” da empresa, a “ausência de condicionantes jurídicas ou económicas”, a “garantia” de respeito pelos “compromissos” laborais e a promoção da “estabilidade acionista”, através da “implementação de um modelo de governo que tenha em conta a específica natureza” da Azores Airlines.
Um dos critérios de avaliação é a “apresentação de um plano estratégico adequado, exequível, coerente e sustentado” a “longo prazo”, que contribua para o “reforço do hub dos Açores”, através das ligações com o continente e diáspora e da “conectividade com a operação da SATA Air Açores” (companhia que voa interilhas) para assegurar uma “real acessibilidade a todos os Açores”.

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