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Casas de penhores para muito ricos

Relógios, joias, malas de luxo e obras de arte são transformadas em garantias financeiras para a concessão de empréstimos rápidos. Valores podem chegar aos cinco milhões.

A Luxury Asset Capital, com escritórios em Manhattan, transformou o penhor de bens de luxo num negócio sofisticado voltado para clientes de elevado património. Em vez de vender relógios Rolex, malas Hermès, joias, diamantes ou obras de arte, os clientes (empreendedores, investidores, colecionadores e empresários) usam estes ativos como garantia para obter liquidez imediata através de empréstimos de curto prazo sem recurso. Caso não paguem, a empresa fica com o bem e vende-o em leilão (através de leiloeiras como a Christie’s ou a Sotheby’s).
Criada em 2016, a empresa atingiu a rentabilidade no primeiro ano e, ao longo da última década, concedeu mais de mil milhões de dólares (cerca de 862 milhões de euros) em empréstimos através do seu portefólio de marcas, incluindo a plataforma online Borro e espaços físicos em Nova Iorque, Palm Beach e Beverly Hills. As receitas foram estimadas em 65 milhões de dólares (cerca de 56 milhões de euros) no último ano.
Os empréstimos típicos variam entre 15 mil e 20 mil dólares (12 a 17 mil euros), mas podem atingir 5 milhões (4,3 milhões de euros). Muitos clientes recorrem ao serviço para financiar investimentos, negócios ou projetos imobiliários sem recorrer à banca tradicional. A rapidez e a discrição são os principais atrativos: em alguns casos, os fundos são disponibilizados no próprio dia.
As malas Hermès Birkin e Kelly tornaram-se uma das categorias de maior crescimento, especialmente modelos raros ou personalizados, que podem valer centenas de milhares de dólares no mercado secundário.
Segundo o fundador Dewey Burke, os bancos tradicionais tendem a atribuir valor zero a ativos que não sejam imobiliário ou instrumentos financeiros. Já empresas como a Luxury Asset Capital especializam-se em avaliar e financiar ativos alternativos. Embora os custos possam atingir cerca de 5% por mês, muitos clientes aceitam as taxas em troca de rapidez, flexibilidade e ausência de verificações de crédito. O crescimento deste mercado mostra como bens de luxo estão a deixar de ser apenas símbolos de estatuto para se tornarem instrumentos financeiros.

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