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Clubes de topo da Europa perderam mil milhões em 2025

Mercado gera cada vez maior interesse, mas há alíneas nas contas dos clubes que começam a preocupar os investidores, tais como os crescentes custos operacionais e o aumento na folha salarial.

O tempo é de euforia mas nem tudo são rosas. Parecem ultrapassados aqueles anos em que investidores e o desporto estavam de costas voltadas. Atualmente, o desporto, e o futebol mais concretamente, continua a consolidar-se como uma nova (e próspera) classe de ativos para as grandes fortunas e a prova disso é a forma como a banca de investimento está aposicionar-se. O Deutsche Bank, um dos grandes bancos a nível europeu, reforçou recentemente a sua estrutura de forma a financiar operações ligadas ao setor do desporto numa resposta assertiva ao crescente interesse dos clientes da entidade a entrar no património deste tipo de ativos. O desporto deixou de ser um investimento de oportunidade de forma a consolidar-se no âmbito das classes de ativo estruturais inseridas nas estratégias patrimoniais a longo prazo. A própria entidade bancária tem vindo a detetar um aumento sustentado da procura de financiamento destinado a operações que estejam ligadas a clubes e a competições. E os números (revelados pela UEFA a partir do Financial Times (FT) Business of Football Summit) aí estão para comprovar essa pujança: os clubes de topo a nível europeu continuam a bater recordes de receitas. Em 2025, os clubes das ligas de topo do futebol europeu alcançaram receitas acima de 30 milmilhões de euros, batendo o já impressionante recorde de 2024, ano em que os principais emblemas europeus chegaram aos 28,6 mil milhões de euros. O cálculo é efetuado a partir das contas apresentadas por 700 clubes europeus, mas até aqui é possível verificar algum desequilíbrio: os 25 maiores emblemas do Velho Continente foram responsáveis por metade das receitas registadas em 2025, ou seja, 15 mil milhões de euros. Mas afinal, o que contribuíu para este crescimento exponencial das receitas? Patrocínios com valores cada vez mais avultados, as transferências de jogadores que atingiram novo recorde em 2025 (quase 12,5 mil milhões de euros) e ainda os prémios garantidos pelos clubes em virtude da sua participação nas provas europeias. Recorde-se que em 2025, a UEFA estabeleceu um novo recorde de distribuição financeira nas três competições, com um total de 3,3 mil milhões de euros, um aumento de 21% em relação ao ciclo anterior. Tudo isto em absoluto contraste com uma tendência que parece ameaçar os direitos televisivos em algumas ligas europeias, inclusive a “Big5” Ligue 1, que pedia mil milhões de euros por época e aceitou metade desse montante para o ciclo 2024-2029.

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