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“Portugal não se pode limitar a comprar material para a Defesa”

Rui Santos, presidente da AED Cluster, acredita que agora é o momento para o país desenvolver empresas ligadas ao setor da Defesa, ao invés de ser mero comprador de material e soluções militares.

Independentemente do que acontecer, se a guerra na Ucrânia acabar amanhã ou se Trump sair do poder, já está tudo em movimento relativamente à soberania europeia, e por isso vive-se num contexto absolutamente único para o desenvolvimento da industria da Defesa”, diz ao Jornal Económico Rui Santos, presidente da AED Cluster Portugal. A invasão de territórios ucranianos pela Rússia - que esta semana assinalou quatro anos - a instabilidade geopolítica trazida pela administração Trump no último ano, com as consequentes dúvidas sobre o papel da NATO. A que se soma a tensão entre a China e Taiwan e as tensões no Médio Oriente alteraram a política mundial e instigou a Europa a olhar de forma diferente para as questões de soberania e da Defesa. A Alemanha, por exemplo, passou para o quarto lugar dos países que mais investem na Defesa - apenas atrás dos Estados Unidos, China e Rússia - e tem agora um orçamento de 500 mil milhões de euros para investir em armamento. Rui Santos acredita que é agora a oportunidade para capacitar a industria portuguesa para o setor, “a verdadeira soberania de Portugal não será na aquisição de material militar mas sim na desenvoltura económica que permitirá ter um papel totalmente diferente. Faz todo o sentido aproveitarmos este contexto”. Sublinha que o país não se pode limitar a usar o orçamento previsto para a Defesa “para comprar material lá fora”. “Temos o SAFE mas a esmagadora maioria desse investimento será para adquirir plataformas que neste momento não se fazem em Portugal, por isso, se não trabalharmos bem entre nós, há uma probabilidade muito real e efetiva de não conseguirmos aproveitar esse investimento para desenvolver a economia nacional”. O SAFE (Securty Action for Europe) é um mecanismo de financiamento até 150 mil milhões de euros adotado pela União Europeia, em maio do ano passado, e que permitirá aos Estados-membros a aquisição de equipamento de Defesa. Portugal alocou 5,8 mil milhões para modernizar das Forças Armadas.

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