Os poderosos institutos germânicos de análise económica – RWI Essen, Ifo Munique, IfW Kiel, IWH Halle e DIW Berlim – reviram em baixa, perigosamente alinhados, a precisão do crescimento do PIB da Alemanha para 2026 (que passou de 1,3% para 0,6%) e as expectativas para 2027 (de 1,4% para 0,9%). Como qualquer espirro na Alemanha tende a transformar-se numa pneumonia na Europa, o alerta dos institutos está a ser observado como um sinal muito negativo para o bloco dos 27 e uma consequência direta da crise energética promovida pelo encerramento do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo. E não tinha de ser assim: “a crise energética não seria desta dimensão se a Alemanha não tivesse desistido da energia nuclear – está a pagar esse erro”, defende o economista e gestor António Nogueira Leite em declarações ao JE.
O fim da opção nuclear na Alemanha – os três últimos reatores foram desligados no dia 15 de abril de 2023 – é contemporâneo da invasão russa da Ucrânia (em fevereiro do ano anterior) e determinou “um aumento da dependência do gás e do carvão” que a evolução da guerra europeia iria transformar num enorme problema económico. O facto de esse problema ainda não estar resolvido veio agravar-se com a guerra no Médio Oriente. “E ainda falta percebermos qual será a dimensão do problema na cadeia de bens intermédios: produtos que usam moléculas do petróleo, e cuja falta só agora começa a ser incorporada pela indústria da Alemanha”, avisa Nogueira Leite.
Alemanha está “a pagar o erro do abandono do nuclear”
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Crescimento : O encerramento do estreito de Ormuz está a despedaçar a perspetiva de crescimento da economia alemã. E ainda falta a indústria incorporar o problema da cadeia de bens intermédios.