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"Vitória Clara" de Seguro e "Bons" Resultados de Ventura: O Desafio da Estabilidade após o Veredito do Povo

O Jornal Económico falou com politólogos que destacam a grande vitória de Seguro, mas admitem que pela frente este poderá ter problemas com questões como a lei laboral ou estabilidade governativa. Seguro terá também de ser a voz do povo.

António José Seguro foi eleito Presidente da República este domingo, 8 de fevereiro de 2026, com a maior votação de sempre na história da democracia portuguesa (67% dos votos). O Jornal Económico falou com politólogos que destacam a grande vitória de Seguro, mas admitem que pela frente este poderá ter problemas com questões como a lei laboral ou estabilidade governativa. Seguro terá também de ser a voz do povo.

Para o politólogo Adelino Maltez, o recente desfecho eleitoral não deixa margem para interpretações. Num momento em que os resultados são frequentemente lidos como focos de instabilidade ou "tormento", Maltez sublinha que, desta vez, "há clareza na vitória do presidente eleito", defendendo que é fundamental, de vez em quando, "deixar falar o povo".

Por sua vez, o especialista em política José Palmeira referiu que as recentes eleições presidenciais deixaram um cenário de leitura positiva para os dois principais protagonistas da segunda volta.

“Eu acho que os resultados de certa forma foram bons para António José Seguro na medida em que teve uma votação muito expressiva. Para André Ventura também foi um bom resultado, na medida em que em termos percentuais ultrapassou a barreira dos 30%”, sublinha José Palmeira.

O conceito da "voz tribunícia"
Com a vitória consolidada, o grande desafio de António José Seguro passa agora pela afirmação da sua liderança através de uma estratégia de proximidade. Segundo Maltez, o líder socialista deve encarnar o conceito de "voz tribunícia" — a figura que dá voz aos que a não têm. "O Seguro terá de ser mais audível, falar pelos que são injustiçados, pelas minorias e pelos jovens sem emprego", afirma o analista, reforçando que este deve assumir um papel "incómodo" perante o poder instituído.

O Desafio da Estabilidade e as Leis Laborais

José Palmeira afirma “que a estabilidade política é o principal desafio do país, após um período marcado por sucessivos atos eleitorais. “O objetivo central para o novo mandato [na Presidência da República] será garantir que a Assembleia da República cumpra a legislatura até ao fim, evitando novas eleições nos próximos três anos e meio”, assegura.

No horizonte político imediato, o grande ponto de fricção entre Seguro e o Governo reside nas alterações às leis laborais. José Palmeira recorda que esta foi a única matéria em que Seguro foi "taxativo", tendo já manifestado o seu desagrado face à proposta aprovada pelo Governo.

Pactos de regime e a margem do Chega
Maltez também é da opinião que a sobrevivência política e a estabilidade do país dependerão da capacidade de Seguro em fazer pactos de regime entre o PS e o PSD.

Esta necessidade surge num contexto onde a configuração parlamentar parece ter remetido o Chega para o lugar que Maltez considera ser a sua génese: "O Chega conseguiu ser aquilo para que nasceu. Ou seja, ser marginal, como é da respetiva natureza".