Skip to main content

Ventura volta a desafiar Montenegro a apresentar moção de confiança

As críticas ao ministro da Educação dominaram o debate do Estado da Nação. Manuel Castro Almeida, ministro da Economia, apelou à estabilidade e rejeitou ataque do presidente do Chega.

Oprimeiro-ministro, Luís Montenegro, negou que exista “caos” no processo de classificação digital dos exames nacionais. “Não há um caos, há problemas, que nós gostaríamos que não existissem”, afirmou o primeiro-ministro no debate sobre o estado da nação, que decorreu ontem na Assembleia da República. Contudo, Montenegro reconheceu que “nem tudo correu bem” com a correção dos exames nacionais, defendendo o ministro da Educação e Inovação, Fernando Alexandre. Oprimeiro-ministro insistiu na plataforma digital e acrescentou que o Governo sabia que transformação seria “muito delicada”.
Já o secretário-geral do PS, José Luis Carneiro, desafiou o primeiro-ministro a garantir que as notas dos exames nacionais vão mesmo ser publicadas hoje, sexta-feira. “O primeiro-ministro falhou naquilo que é mais grave, no momento essencial à vida dos jovens deste país. A pergunta que lhe faço é muito clara: está em condições de garantir a esta Assembleia da República que amanhã [hoje] todas as classificações serão publicadas?”, questionou Carneiro.
Já depois da sessão parlamentar, Fernando Alexandre manifestou-se confiante que todas as notas dos exames nacionais do ensino secundário serão publicadas hoje à tarde. “Tivemos uma excelente recetividade [dos professores], as avaliações estão a decorrer e estamos muito confiantes que amanhã [hoje, sexta-feira] à tarde publicaremos as notas de todas as disciplinas”, afirmou.
Também durante o decorrer no debate parlamentar, o primeiro-ministro manifestou confiança plena no ministro da Administração Interna, Luís Neves. e rejeitou que o o ex-diretor nacional da PJ tenha ameaçado deputados do Chega. Montenegro devolveu as acusações ao partido de André Ventura. “Se eu mantenho a confiança política no ministro da Administração Interna? Com certeza, senhor deputado, plenamente. No senhor ministro da Administração Interna e em todos os ministros e secretários de Estado”, afirmou.
Coligações negativas custaram mais de 1.200 milhões
Luís Montenegro revelou, durante a sessão, que as medidas aprovadas por PS e Chega têm um impacto financeiro de mais de 1.200 milhões de euros e acusou estes partidos de “condicionamento da ação governativa”.
“Não há dúvida, são entre 1.200 a 1.300 milhões de euros os impactos financeiros das medidas que foram decididas pela convergência, presumo que estratégica, estrutural, do ponto de vista do pensamento político, do PS e do Chega”, afirmou Montenegro, que adiantou estes números em resposta ao líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio.
O primeiro-ministro referiu que, “em quatro diminuições de IRS”, o Governo devolveu às famílias portuguesas dois milhões de euros e disse que se tivesse “mais 1.300 milhões de euros disponíveis” podia, “entre outras coisas, ter descido ainda mais o IRS em Portugal”.
Na mesma sessão, o presidente do Chega desafiou Montenegro a apresentar uma moção de confiança ao parlamento e disse que o Governo está em “decomposição acelerada”. Ventura afirmou que este é um “Governo em degradação acelerada, em decomposição acelerada”. “Deve mesmo perguntar ao Parlamento se ainda mantém a confiança no seu Governo”, desafiou. Oencerramento do debate sobre o Estado da Nação esteve a cargo do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida que rejeitou a proposta do Chega para que o executivo apresentasse uma moção de confiança. “O Governo não será fator de crise e instabilidade”, disse o ministor reafirmando que “a poucos meses do debate orçamental”, que o Governo PSD/CDS-PP é defensor da estabilidade. “Queremos cumprir a legislatura, senhor deputado André Ventura. O Governo não será fator de crise e instabilidade, esperamos que as oposições tenham o mesmo sentido de responsabilidade.”

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico