Foi um longo caminho para aqui chegar. Mas os novos donos da distribuidora portuguesa da Volkswagen já conseguiram ultrapassar a meta de vendas que propunham atingir quando fecharam a compra da empresa em 2019.
É da Áustria que vêm os novos donos da SIVA, que pertence ao grupo Volkswagen. Quando a Porsche Holding chegou em 2019, a empresa sofria uma grave crise financeira, tendo as vendas do grupo afundado mais de 30% em 2018 para 20,3 mil veículos. Na altura, esperavam atingir vendas de 30 mil unidades no médio prazo e esta meta já foi atingida e superada nos dois últimos anos.
Em 2024, foram vendidas 32,6 mil unidades. Em 2025, as vendas subiram 10% para 35,8 mil veículos, um disparo de 75% face aos níveis de 2018.
A empresa austríaca é a maior distribuidora automóvel da Europa. Comprou a SIVA pelo preço simbólico de um euro à SAGdo empresário João Pereira Coutinho, tendo assumido as dívidas da empresa.
ASIVA é a importadora e distribuidora da Volkswagen, Audi, Seat, Cupra ou Skoda, e também tem as marcas de luxo Bentley e Lamborghini.
“Tivemos um 2025 relativamente positivo. Omercado fechou quase em níveis pré-Covid. Isto demonstra uma estabilização. Esperamos voltar a crescer mais em 2026 porque não estamos onde queremos estar”, disse um dos diretores-gerais da SIVA em entrevista ao JE. Daniel Wukowitsch tem um objetivo claro: “a reconquista da liderança do mercado em Portugal”,
O gestor austríaco defende assim que é preciso mais foco no “cliente, no negócios e nos parceiros” para o grupo continuar a crescer nas vendas, não prevendo a abertura de novos concessionários, mas em vender mais carros com a rede atual.
A entrada de novas marcas de carros elétricos no mercado europeu obrigou as marcas do velho continente a fazer contas à vida.
As grandes construtoras foram obrigadas a adaptar-se perante modelos tecnologicamente mais avançados, a preços acessíveis. Pelo meio, os consumidores foram aderindo enquanto Bruxelas começou a apertar o cerco ao motor de combustão.
“A entrada das marcas chinesas na Europa já não é uma ameaça. O grupo Volkswagen tem feito um bom caminho de confrontar esta nova concorrência com cada vez mais modelos eletrificados mais acessíveis”, afirmou Daniel Wukowitsch.
O gestor aponta para vários modelos no seu portefólio, alguns prestes a chegar ao mercado, com preços semelhantes aos modelos chineses e nos mesmos segmentos.
O gestor reconhece que o facto de o grupo Volkswagen ter um “portefólio muito diversificado em termos de marcas, modelos e motores” é uma “vantagem”, conseguindo agradar a clientes diferentes.
“Mas hoje é mais difícil vender porque o cliente já sabe muito mais quando chega a um concessionário com a internet, redes sociais ou inteligência artificial. Um dos grandes desafios para as marcas é adaptarem-se para que a trajetória do clientes não tenha falhas”, defende.
A Volkswagen é a marca mais vendida da SIVA, com mais de 14,8 mil unidades vendidas, uma subida de 10% nas vendas em 2025, ficando na sexta posição no mercado total de veículos ligeiros, segundo os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).
A marca de Wolfsburgo também surge em destaque no mercado de híbridos plug-in, tendo fechado 2025 na terceira posição, com as vendas a dispararem mais de 200% para mais de 2.900 unidades. Já no mercado de 100% elétricos, a Audi foi a líder entre as marcas da SIVA com mais de 1.600 unidades vendidas, uma subida de 6%.
O gestor deixou elogios à rede de carregamentos em Portugal, mas defendeu mais carregadores de alta velocidade nas autoestradas. Em termos de apoios à compra, considera que os incentivos “são fundamentais” para ajudar os consumidores a “confrontar o medo do preço”, que está entre os principais obstáculos à compra de um elétrico, a par de receios com infraestrutura e autonomia.
Este ano, as vendas da Volkswagen subiram 15% até ao momento, surgindo na oitava posição do ranking nacional de ligeiros de passageiros.
Sobre o impacto nas vendas de eletrificados devido à subida do preço dos combustíveis, acredita que “pode ajudar” os clientes a optarem por um modelo amigo do ambiente.
Vendas do grupo Volkswagen disparam 75% com nova liderança
/
Depois do ‘annus horribilis’ de 2018, com vendas a afundarem 30%, os novos donos da distribuidora nacional da Volkswagen já superaram as metas definidas. Novo objetivo? “Reconquistar a liderança do mercado”.