Os portugueses têm andado angustiados por estes dias com o disparo no preço dos combustíveis. Já todos vimos este filme várias vezes ao longo dos anos. A subida do gasóleo e gasolina vai apertar, ainda mais, o orçamento de famílias e empresas. Como sempre, os portugueses puseram-se a caminho da fronteira para abastecer em Espanha, depois do Governo de Pedro Sánchez ter cortado agressivamente o IVA. Mas, felizmente, já não estamos na década de 70. Há alternativas ao gasóleo e gasolina e com preços mais em conta quando chega a hora de atestar.
“As pessoas quando sentem na carteira, no final do mês, porque o combustível tradicional mais caro... tendem a virar-se para novas tecnologias. Isto pode até acelerar a transição energética que estamos a viver”, disse ao JE o diretor-geral da BYD Portugal sobre os impactos da crise energética nas vendas de carros eletrificados.
“A Europa não pode ficar dependente. Não temos aqui grandes produções de petróleo... e estamos completamente dependentes dessas energias”, criticou Pedro Cordeiro em entrevista ao JE.
“E Portugal é um bom exemplo com as renováveis. Conseguimos gerar aqui energia; podemos ser autossuficientes e não dependentes”, defendeu.
A BYD fechou 2025 na segunda posição no mercado nacional com um crescimento de mais de 70%, à boleia da Tesla recuar mais de 20%. A marca chinesa vendeu mais de 4.900 unidades, com uma quota de mercado de mais de 9%, contra mais de 7.500 da marca americana.
Este ano, a BYD está na segunda posição de vendas com 785 unidades, um crescimento de 26%, apenas atrás da Tesla com mais de 1.500 unidades.
O ano passado confirmou mesmo a ascensão da BYD como a maior marca de carros 100% elétricos a nível mundial. As vendas subiram 27% para 2,25 milhões de unidades, com a Tesla a afundar 8% para 1,64 milhões de unidades.
Sobre o recuo das metas europeias em 2035, o gestor destaca que, apesar da ligeira desaceleração da própria União Europeia, vamos ter que caminhar no sentido” da transição energética.
Sobre as notícias que davam conta que a BYD estava a estudar Portugal como possível localização para uma terceira fábrica na região da Europa, disse que não haviam novidades neste momento e que o grande foco é a abertura da fábrica na Hungria este ano para produzir 150 mil automóveis por ano, para já.
A abertura desta fábrica vai ajudar a companhia a evitar as tarifas aduaneiras impostas pela União Europeia às marcas chinesas. A BYD foi alvo de um aumento de 17%. “Teve impacto nos preços. Poderia ter sido diferente, com outra velocidade, se não fossem as tarifas. Poderíamos ter acelerado, com preços mais competitivos. Foi um vetor de não tanta aceleração”.
Por estes dias, tem aumentado a procura por alternativas num mundo em que o petróleo continua a ter um peso excessivo, com países como Portugal sempre dependentes de eventos geopolíticos em qualquer ponto do global que acabam por influenciar a economia. Os investidores estão a virar-se para os maiores fabricantes chineses de baterias que viram a sua capitalização bolsista disparar mais de 70 mil milhões de euros desde o início da guerra. Foi o caso da própria BYD (uma fabricante original de baterias que depois alargou o negócio aos carros), a CATL e a Sungrow, com as três a negociarem na bolsa de Hong Kong, registando subidas na casa dos 20% cada uma, superando o desempenho das maiores petrolíferas mundiais. As baterias são cruciais na transição energética, seja nos carros elétricos, seja para guardar a eletricidade renovável para depois a injetar na rede em horas de maior procura.
“Do ponto de vista teórico”, a crise tem efeito positivos nas vendas, destaca Pedro Cordeiro, apontando que é preciso ir “avaliando” se há “efeitos imediatos”, o que também que vai depender da duração da guerra no Médio Oriente.
“Pessoas adotam novas tecnologias quando sentem na carteira”
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A crise energética vai aumentar a procura por carros eletrificados e acelerar a transição energética, acredita a maior fabricante de carros elétricos do mundo. A chinesa BYD defende que Portugal deve aproveitar as suas renováveis para reduzir a dependência do petróleo.