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Um presidente acossado e um país à espera

Emmanuel Macron deu a si próprio um prazo de 48 horas para encontrar um primeiro-ministro que lhe dê garantias de conseguir um Orçamento. Leva na algibeira as indicações de Lecornu, mas ninguém acredita que o encontre.

Os franceses estão mais ou menos a meio de um irritante período de 48 horas que o presidente da República, Emmanuel Macron, deu a si próprio para encontrar alguém que tenha a falta de sensatez política suficiente para assumir a pasta de primeiro-ministro – e depois disso consiga fazer passar um gabinete aceitável pela maioria da Assembleia Nacional e convença essa tripartida plateia da bondade, ou possivelmente da inevitabilidade do Orçamento do Estado que se apressará a apresenta-lhes. Desde que, esta segunda-feira, o então primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, pediu a demissão (que foi prontamente aceite), que Macron está a tentar ganhar tempo, pedindo ao seu escolhido que, apesar da sua incómoda posição de demissionário, tratasse de manter negociações com os partidos com representação parlamentar.
Lecornu assim fez, tendo passado os dois dias seguintes a labutar pela causa presidencial: tentou convencer um grupo suficientemente numeroso de parlamentares a aceitar deixar passar um Orçamento, mesmo que fosse um mero recurso para os franceses terem esse documento até ao final do ano, e tratou de os motivar contra a insistência em pedirem eleições antecipadas (nem presidenciais, nem legislativas). Falhou redondamente nas duas tentativas ‘operacionais’ – pelo menos a acreditar nas intervenções da oposição – da esquerda à direita, com a exceção dos socialistas – mas foi bem sucedido no essencial: conseguiu mais 48 horas para Macron tentar o que para muitos é em absoluto impossível: encontrar um primeiro-ministro que consiga ter um Orçamento nas mãos, e que por essa via cale os que pedem eleições antecipadas.
Os analistas – entre eles Francisco Seixas da Costa – não acreditam que isso possa ser possível e consideram que o país não passará sem eleições antecipadas. Inclinam-se mais para o lado de legislativas que de presidenciais, mas todos sabem, o Embaixador incluído, que os últimos meses de 2025, os doze meses de 2026 e os primeiros meses de 2027 – ou seja, até às presidenciais ‘calendarizadas’, a França não deixará de passar por uma fase muito sombria.

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