Aquilo que parecia uma boa ideia na cabeça de Gianni Infantino, poderá poderá agora acabar nos tribunais,
Apesar de ter desistido do seu plano de vender participações do Mundial e outras provas a investidores privados, a troco de lucros futuros, essa intenção não foi esquecida pela UEFA.
Depois de, no início do mês, a associação liderada pelo russo Aleksander Čeferin ter assumido que perdeu toda a confiança em Gianni Infantino, a UEFA prepara agora uma queixa-crime nos tribunais suíços contra o presidente da FIFA, por suspeitas de má gestão financeira.
“A UEFA e os seus advogados estão a ponderar um processo-crime suíço contra Infantino e, possivelmente, outros funcionários da FIFA por má gestão criminosa, ao abrigo do Artigo 158 do Código Penal Suíço”, referem os advogados da UEFA em comunicado.
De acordo com informações avançadas na quinta-feira, 27 de agosto, pela Associated Press, os advogados da UEFA entregaram um documento com 56 páginas num tribunal de Manhattan, nos Estados Unidos, com o objetivo de obter provas junto do fundo de investimento nova-iorquino Thrive Capital Management, fundado por Josh Kushner.
Kushner irmão mais novo do conselheiro da Casa Branca, Jared Kushner, marido de Ivanka Trump, filha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteve recentemente nas notícias por em conjunto com o antigo CEO da Dsiney, Bob Iger, comprarem a equipa de basquetebol dos LA Lakers por 12 mil milhões de dólares (10 mil milhões de euros).
É precisamente o Thrive Capital Management, juntamente com Josh Kushner, que seriam os principais investidores do plano de Gianni Infantino, num negócio que envolveria o pagamento de 4,2 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros) à FIFA por uma participação de 20% numa empresa subsidiária que iria gerir os eventos comerciais do organismo, entre eles o Mundial.
“É preciso restaurar os limites adequados à autoridade presidencial e assegurar que a FIFA seja novamente governada como uma instituição e não em torno de um único indivíduo”, afirma a UEFA em comunicado.
Segundo o jornal “The Times”, o dirigente de nacionalidade suíça e italiana iria ganhar seis vezes mais se a proposta de vender 20% do capital da empresa a privados avançasse, uma situação que estará a causar mal estar dentro da FIFA e no universo de patrocinadores da FIFA.
Este artigo do “The Times” no início de agosto revelava que Gianni Infantino já estaria a preparar-se para assumir um cargo nesta nova empresa e a partir de 2028, o atual presidente da FIFA iria ganhar um salário de 55 milhões de euros, seis vezes mais do que aufere atualmente.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, informou a 1 de agosto que desistiu do projeto de abertura da federação a investidores privados, ideia fortemente criticada, que suscitou receios de uma mercantilização do futebol num contexto de suspeitas de conflito de interesses.
“Depois de ter ouvido atentamente todos os pontos de vista, tornou-se claro que o projeto criou divisões […] que já não servem o objetivo inicial”, reconheceu num comunicado Gianni Infantino, que se encontra numa posição fragilizada após a recente demissão do seu conselheiro principal, Carlos Cordeiro.
Gianni Infantino é presidente da FIFA desde 2016 e é, até ao momento, o único candidato declarado às eleições marcadas para março do próximo ano e precisa de uma maioria simples dos votos das 211 federações filiadas na FIFA para prolongar o seu mandato.
UEFA prepara queixa-crime contra Gianni Infantino
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Desporto : Na base deste processo estão suspeitas de má gestão financeira do presidente da FIFA, que desistiu do seu plano de vender participações do Mundial e outras provas a investidores privados.