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Robôs batem quatro recordes mundiais humanos

Jogos : Mais de dois mil robôs humanoides competiram em Pequim em 51 provas. Bateram recordes humanos dos 100, 400, 1500 metros e do salto em altura. No salto em comprimento, os humanos ainda estão no pódio.

Berlim, 1936, Jesse Owens, norte-americano, negro, vence a prova de 100 metros, a seguir a de 200, a estafeta por 4x100 e o salto em comprimento. Foi o herói dos Jogos Olímpicos. Adolf Hitler deixa a tribuna para não ter de o cumprimentar.
Los Angeles, 1986, Carl Lewis corre em casa. Vence os 100 metros, os 200 metros, a estafeta 4x100 metros e, sobretudo, o salto em comprimento. É a cara dos jogos.
Shenzhen, 2026. Tiangong Ultra, um robô humanoide vermelho sem cabeça faz manchetes na China ao quebrar o recorde de Bolt nos 100 metros, o corredor mais rápido do mundo. Além disso, superou os tempos de outros recordistas nos 400 metros, 1500 metros e no salto em comprimento parado.
Foram homens que transformaram a ideia dos limites humanos. Agora, em Pequim, são as máquinas que querem reescrevê-la ao baterem os recordes mundiais dos humanos.
A segunda edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides (World Humanoid Robot Games) aconteceu entre 22 e 26 de agosto, no National Speed Skating Oval, o “Ice Ribbon”, em Pequim, no recinto utilizado nos jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Um evento que parece ainda pertencer ao território da ficção científica, mas que já dá pistas para o que nos espera no futuro. Dentro e fora de campo.
Mas quais foram exatamente os tempos e as diferenças? “Tiangong Ultra atingiu 9,39 segundos na competição e 8,86 nas meias-finais, terminando, no entanto com o recorde de 8,64 segundos”, divulgou a Reuters, fazendo assim história nos 100 metros ao correr mais rápido do que Usain Bolt. Recorde-se que este atingiu aquela distância em 9,58 segundos durante a final dos Campeonatos do Mundo de Atletismo, em Berlim. Uma marca que continua a ser referência mundial da velocidade.
Também no salto, Tiangong Ultra alcançou 2,88 metros a partir da posição parada, superando os 2,45 metros do recorde mundial humano de Javier Sotomayor. Porém, a comparação tem uma ressalva: a prova robótica tinha regras próprias e não corresponde exatamente ao salto em altura olímpico.
Mas há mais vitorias. Nos 400 metros, o Tiangong fez 38,15 segundos, contra os 43,03 segundos do recorde mundial de Wayde van Niekerk, estabelecido nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. E nos 1.500 metros, a televisão estatal chinesa, afiança que um robô da equipa do Tianzhuo conquistou a medalha de ouro com 2 minutos e 21,63 segundos, muito abaixo dos 3 minutos e 26 segundos do marroquino Hicham El Guerrouj, recordista mundial desde 1998.

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