Skip to main content

Rússia reforça ameaças a quem fornece mísseis à Ucrânia

Guerra : Londres, Paris e Berlim são visadas pela capacidade que as forças ucranianas estão a ter para atingir alvos em território russo. CIA esteve em Moscovo para limitar uma escalada, mas o tom subiu.

Esta semana foram dados dois sinais de escalada da guerra que a Rússia desencadeou na Ucrânia. De forma sequencial. Primeiro, a deslocação invulgar do diretor da CIA, a agência de informações norte-americana, a Moscovo. Depois, o tom das ameaças russas cresceu, visando o Reino Unido e o apoio ao esforço de guerra ucraniano.
A Rússia elevou o tom das ameaças contra o Reino Unido, nesta quinta-feira, 27 de agosto, avisando que instalações e equipamento militar britânicos na Ucrânia e fora do país poderão tornar-se alvos se Kiev continuar a atacar território russo com armamento fornecido por Londres.
“Qualquer instalação e equipamento militar britânico na Ucrânia e fora das suas fronteiras poderá tornar-se alvo”, afirmou Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.
Moscovo considera que Londres está a aproximar-se da cumplicidade em atos de “terrorismo” contra civis russos e Zakharova avisou para “consequências catastróficas inevitáveis” se o Governo britânico não alterar a política de apoio militar a Kiev.
O aviso surge depois de Andy Burnham, durante a visita a Kiev, na segunda-feira, a primeira visita ao estrangeiro desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro britânico, ter anunciado o fornecimento de informação classificada sobre componentes britânicos do míssil de cruzeiro Storm Shadow, permitindo que a Ucrânia passe a produzir localmente sistemas de longo alcance.
“A segurança da Ucrânia é a nossa segurança”, afirmou Andy Burnham durante as comemorações do 35.º aniversário da independência da Ucrânia.
Londres já fornece Storm Shadow às forças ucranianas desde 2023.
O Storm Shadow é um míssil de longo alcance desenvolvido, desde 1994, em cooperação com a França e conhecido neste país como SCALP, tem um alcance superior a 250 quilómetros, é lançado do ar e foi concebido para atingir alvos fixos e fortificados. A França já tinha autorizado a produção deste sistema na Ucrânia sob licença.
Aliás, Paris e Berlim também foram visadas nas ameaças de Moscovo, que considera que o apoio dado ao esforço de guerra ucraniano está próximo da promoção do terrorismo. A Finlândia também foi mencionada, por o seu presidente ter justificado os ataques ucranianos à Rússia.
A Ucrânia tem intensificado os ataques contra refinarias, centros logísticos e outras infraestruturas económicas russas. O presidente russo, Vladimir Putin, acusou Kiev de abrir uma “caixa de Pandora” e prometeu responder nos setores mais sensíveis da economia ucraniana. Moscovo tem mantido ataques de grande dimensão contra cidades, portos, instalações energéticas e industriais. Esta quinta-feira, uma nova vaga de mísseis e drones russos atingiu várias regiões da Ucrânia.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico