Skip to main content

Tem a certeza de que os livros são boa companhia?

Livraria : Todos os livros estão em inglês. Autores portugueses? Também. Da língua de Camões para o idioma de Shakespeare num espaço onde a literatura abraça o design, o vinho dança no copo e o balcão acontece.

Se ficou a pensar na pergunta do título, respire fundo. Não é um teste. Éuma provocação que parte de um “sonho louco” partilhado por dois amigos na universidade. Louco mas com muita vontade de acontecer. Na altura em que a ideia despontou, Giovanna Centeno e Samuel Miller viviam entre a Suíça, Portugal e o Brasil. Tinham ambos ligações familiares ao país de Pessoa e Camões e mudaram-se para Lisboa em 2018. Voltaram à universidade nesse mesmo ano, fizeram uma pós-graduação em edição e gestão cultural. Casaram e vestiram a pele de escritores. Começaram, também, a trabalhar para editores um pouco por todo o mundo.
O sonho não se perdeu no éter. Foi amadurecendo. Até chegar aqui, à Good Company Books, “um lugar onde queríamos passar os nossos dias, rodeados de livros lindos. Um lugar que inspire e encante”. Onde os livros são mundos imensos e boa companhia. Eisso sente-se logo à entrada. Odesign do espaço convida a explorar este café que sonhou ser livraria. A madeira predomina e confere ‘calor’ ao espaço desenhado em “L”, com a assinatura do Studio Pim. Logo ali, à distância da mão, os destaques da semana. Em frente, estantes altas forradas a livros namoram janelas amplas. As capas dos livros gritam design. Podemos apenas deambular para contemplar o grafismo. Puro deleite. Ou folhear, ler excertos, páginas inteiras.
Nas estantes baixas, os livros aconchegam-se sem se esconderem uns aos outros. Há sugestões do staff da Good Company, porque aqui partilha-se o que se gosta. Todos os livros estão em inglês. Éesse o conceito. Enão faltam autores lusófonos no idioma de Shakespeare, pois o objetivo é, também, dar a conhecer clássicos e contemporâneos em língua portuguesa aos públicos mais diversos. Por isso, prepare-se para um amplo leque de oferta, do romance, biografia e ficção científica ao terror, policial ou gastronomia. Também há pérolas para cinéfilos, como a série de livros que integram “The Wes Anderson Collection”, com fotografias inéditas e outros mimos, como a entrevista do reputado crítico de cinema Matt Zoller Seitz ao realizador norte-americano.
De livro na mão, já estamos de olho no convidativo balcão que se espraia na outra parte do “L”. À tarde, o café transforma-se num bar de vinhos, que aposta em ser um espelho (ainda modesto) da diversidade dos produtores portugueses. Vinhos naturais da nova geração de viticultores estão lado a lado de colheitas tradicionais, disponíveis a copo. Na Good Company há provas de vinho para quem gosta de desbravar o admirável mundo novo dos pequenos produtores e, a partir de 29 de agosto, a carta passará a ter pequenas provocações ao palato, como ostras do Sado. As bebidas à base de café também têm indefetíveis. “Cortesia” dos grãos bem torrados e aromáticos da Olisipo Coffee Roasters, uma marca também ela portuguesa.
O fim de tarde é um ‘must’. A luz de verão ainda desce lentamente sobre a cidade e, tanto na esplanada como no interior, há quem leia tranquilamente, quem dê vários dedos de conversa, encontre amigos, troque sugestões de leitura ou escreva num caderno de capa negra. Oquê, não sabemos. Pouco importa. Neste espaço que é uma declaração de amor aos livros, escrever é um impulso ao qual apetece ceder.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico