Skip to main content

Telecom têm de ser vistas como infraestrutura estratégica nacional

COO da MEO defende que o Governo tem de reconhecer este setor, tal como acontece com a energia e transportes, alinhando as políticas públicas.

OGoverno tem de reconhecer as telecomunicações como uma infraestrutura estratégica nacional e com impacto económico, à semelhança do que acontece com os setores da energia e transportes.
“Hoje estamos uma hora sem acesso à rede e é o fim do mundo, não é a mesma coisa que não termos luz ou não termos água”, afirmou Nuno Cadima, Chief Operations Officer (COO) da MEO, sobre o papel das redes e infraestruturas.
Após esse reconhecimento do ponto de vista governamental o COO considera necessário alinhar as políticas públicas com o talento, a energia, e com o investimento privado.
“Precisamos de ter esse alinhamento e previsibilidade. E depois apostar em alguns projetos âncora que sejam bandeira, mas que criem um ecossistema em torno desses projetos e desenvolvam a indústria nacional”, referiu.
Por outro lado, alertou para uma revolução que está em curso nos operadores tradicionais de telecomunicações.
“Os que vendiam pacotes de dados e pacotes de minutos, tendencialmente vão deixar de existir”, realçou.
Deste modo, no futuro a ideia será de ter operadores baseados em tecnologia e em inovação contínua, gerando assim valor para os clientes e para a sociedade.
“Vamos deixar de ser telco e passar a ser tecno. Ter mais empresas de tecnologia do que empresas apenas de telecomunicações”, salientou.
Investimentos que sublinhou não serão feitos apenas para as operadoras estarem nas redes sociais, a fazer scroll em vídeos.
“É estarmos preparados para grandes eventos, para a indústria robotizada e estarmos preparados para as smart cities”, afirmou, dando como exemplo no futuro carros autónomos ligados a um sistema de sinalização na cidade.
“Isso pode otimizar o fluxo da cidade e diminuir o tráfego dentro da mesma”, disse.
No lado da MEO os investimentos estão a ser feitos na conectividade e resiliência, além dos que já foram realizados nos últimos anos nas redes fixas.
“Estamos a preparar-nos e a viver esta nova revolução industrial que necessita de redes inteligentes”, referiu o COO.
A empresa conta com participações em cabos submarinos que a ligam à América do Norte e do Sul, a África, aos Açores e à Madeira.
Temos 11 pontos de amarração em Portugal. É um ecossistema da parte [da rede] fixa que nos permite estar preparados para o futuro”, afirmou.
Em relação ao 5G, o COO considera que esta tecnologia ainda tem muito para dar, mas não tem dúvidas de que vai chegar o momento do 6G.
“É investimento de longuíssimo prazo. Estamos a falar de 20, 30 anos. E quando se fazem investimentos com este timeline, é necessário ter previsibilidade de políticas públicas, previsibilidade de regulação, previsibilidade energética e de talento”, explicou.
Como tal, considera que sem esta previsibilidade, o risco aumenta e quando isso acontece, o investimento deixa de existir.
A União Europeia tem uma visão correta de redes resilientes na Europa. Temos agora de agir consubstanciando ao longo do tempo”, sublinhou.
Segundo a ANACOM, 95% dos lares portugueses e empresas têm acesso à rede de fibra e de banda larga, um dos níveis mais elevados na Europa e no mundo.
Relativamente à rede móvel, e de acordo com os rankings da OCDE ou da Comissão Europeia, Portugal surge acompanhado de Suíça, Países Baixos, Noruega e Dinamarca, sobre a fiabilidade da rede nacional, a baixa latência e a velocidade de conexão.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico