Portugal está no radar mundial das empresas de tecnologia e a região de Sines serve de exemplo para aquilo que pode ser o futuro no resto do país.
“Tenho tido reuniões com as principais tecnológicas mundiais e todas assumem estar interessadas em investir em Portugal”, afirmou Gonçalo Matias, ministro Adjunto e da Reforma do Estado na conferência “Impulso Local”, organizada pelo Jornal Económico, no auditório do Centro de Artes de Sines.
ma iniciativa que pretendeu colocar o município no centro do debate sobre o futuro económico de Portugal.
O ministro assumiu o objetivo de tornar o setor tecnológico como uma indústria de futuro e não “apenas de empresas que estejam no país um ou dois anos”, mas também não quer que Portugal se venha a transformar num parque de data centers.
Contudo, salientou que o país deve olhar para os investimentos que estão a ser feitos na região como um exemplo.
“Sines é um pouco o sinal do que está a acontecer ao país. Sines foi um investimento e pensamento antigo bem pensado, mas só agora é que esse salto está a ser dado”, salientou.
O ministro recordou que nos últimos 20 anos houve um certo abandono de grandes projetos estruturantes para Portugal, mas que agora esse impulso reformista e transformador está a ser dado.
“Hoje Sines é um polo tecnológico de ponta. Hoje já é produzida Inteligência Artificial em Sines, não é ficção científica”, sublinhou.
Sobre o projeto da gigafábrica mostra-se confiante de que Portugal e Espanha vão sair vencedores do concurso, no âmbito da iniciativa coordenada pela EuroHPC Joint Undertaking, que vai abrir cinco a sete projetos, com candidaturas de vários países da Europa.
“Não vejo na Europa outro projeto com tanta atenção pública e empenho de ambos os governos”, referiu.
Gonçalo Matias disse que Espanha poderá ter mais projetos, mas que Portugal não pondera mais candidaturas.
“Com o Governo e o Banco de Fomento criamos um consórcio muito forte em Portugal, e em vez de dispersarmos as candidaturas por várias entidades, concentramo-nos numa candidatura com as maiores empresas portuguesas, de retalho, tecnológica, os unicórnios”, explicou.
A razão para esta decisão, segundo Gonçalo Matias deveu-se ao facto de Portugal ter percebido que era mais provável ganhar esta candidatura juntando-se num projeto com Espanha, porque desde logo ganhava escala.
“Aconteceu o mesmo no Norte da Europa. Os nórdicos juntaram-se com os escandinavos, os gregos com os italianos. O objetivo da União Europeia era que estes projetos tivessem escala”, afirmou.
O governante revelou que espera uma decisão até ao verão por parte da União Europeia e de que tudo possa estar em funcionamento até 2027.
O ministro destacou três vantagens competitivas de Sines: o talento, dando conta de que a população jovem em Portugal tem em média mais qualificações que a média europeia. O preço da energia pelo facto de Portugal ter dos preços mais baratos da Europa, porque tem um mix energético de energias renováveis.
“A energia barata e sustentável é atrativa para as empresas e para o investimento”, referiu. E finalmente a atração de investimento pela proximidade ao mar, dando o exemplo da amarração dos cabos submarinos em Sines.
A futura Gigafactory deverá ter uma capacidade instalada de cerca de 150 megawatts de computação, suportada por mais de 100 mil GPUs que vão disponibilizar serviços avançados de IA.
Tecnológicas mundiais querem investir em Portugal
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Gonçalo Matias, ministro Adjunto e da Reforma do Estado defende que os investimentos que estão a ser feitos na região de Sines servem de exemplo para o resto do país.