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Faltam planeamento e recursos para responder ao investimento que está a chegar a Sines

Álvaro Beijinha deixa um alerta: é preciso agir rapidamente para se conseguir dar resposta aos investimentos previstos para a região. Anos sem planeamento, défice de investimento e de recursos têm custos.

O fluxo de investimento que está previsto para a região de Sines é avassalador, incomparável. São 25,4 mil milhões de euros de investimento direto que deverão aterrar no sudoeste alentejano em cinco anos, sem contar com o que gera em serviços, por exemplo. O problema é que todas as estruturas terão de se adaptar para o receber, incluindo a administração pública.
“Sines está na boca do mundo”, mas os “problemas são muitos”, avisa o presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha. O projeto de Sines foi “pensado nos anos 60” e desde então não “houve planeamento nenhum”, diz. E mesmo com os investimentos previstos, falta planeamento e dotar a autarquia de meios para dar respostas às necessidades.
Enquanto antigamente a cidade tinha ligação ferroviária, hoje em dia não beneficia dessa ligação, uma falha que Beijinha considera inadmissível. Com a agravante de que, por não existir planeamento, a ferrovia estará ausente quando a região precisar dela. “Mesmo que se tome a decisão política de ter ligação, vai demorar anos, e estamos a falar do maior porto do país e da maior plataforma industrial e logística, isto é estratégico para o desenvolvimento do país”, declara.
Para mercadorias, sim, mas para passageiros igualmente.
Também é preciso completar a ligação direta por autoestrada à A2, que está em curso, mas que só deverá ficar pronta no final da década.
Em Sines moram 13 mil pessoas, a que se somam mais seis mil que chegam todos os dias para trabalhar. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística a cidade está entre os concelhos que registam os salários médios mais altos do país, com 2.180 euros, traduzindo um aumento de quase 23% numa década.
Depois, o município de Sines tem o plano diretor municipal mais antigo do país, de 1990, que está em revisão há 19 anos. Desatualizado, claro. O plano de urbanização é de 2008 e já não se coaduna. E os planos de pormenor são inexequíveis.
Acresce que a autarquia não tem dinheiro ou recursos humanos para dar resposta aos problemas. Num orçamento de 41 milhões, apenas 12 são destinados ao investimento, uma fatia esquálida quando comparada com os investimentos previstos pelas empresas até ao final da década. E sem receitas à vista, porque as grandes empresas que têm unidades de produção no concelho têm a sede longe. “Não cá nada de derrama na camara”, diz o autarca.
O caso da habitação, um problema tremendo (ver o destaque no início desta edição), é paradigmático. Faltam casas, Sines tem um parque habitacional significativo, mas está “obsoleto” e são necessários “muitos milhões” para enfrentar a crise, com o aumento esperado da população. Mais cerca de 30% do que os que moram ali.
“A Câmara não tem capacidade financeira para construir habitação. Os cálculos que nós fizemos, as necessidades de habitação para Sines é basicamente tudo aquilo que estava previsto no PRR para habitação no país todo, e se calhar não chegava”, afirma.

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