Skip to main content

Pesadelo da estagflação volta a espreitar. Como travá-la?

Há cada vez mais avisos sobre a estagflação, uma mistura de preços altos e fraco desempenho económico que marcou a década de 70. As eleições intercalares americanas são um elemento-chave para a crise, diz economista, porque o preço dos combustíveis é uma questão sensível.

A última grande prova de vida da “estagflação” à escala global remonta à década de 70. No entanto, a cada nova crise nos últimos anos, esta rara combinação entre preços elevados e quebra da atividade económica vai voltando a espreitar. E não faltam vozes, por estes dias, a avisar para a possibilidade, tendo em conta a paralização do Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico do comércio internacional e do abastecimento de petróleo.
“O risco de estagflação parece bastante alto para os Estados Unidos”, afirmou Joseph Stiglitz esta semana em entrevista à agência AFP. Aliás, o Nobel da Economia vai até mais longe, dizendo que antes dos primeiros ataques ao Irão, no final de fevereiro, já os EUA estavam “perto” desse cenário.
Jerome Powell discorda. O presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) diz estar preocupado e reconhece que é “uma situação muito difícil”, mas sublinha que “ninguém sabe qual será o efeito económico do conflito no Médio Oriente” e que a estgflação “é uma palavra da década de 70, não o que se está a passar“. Powell prefere reservar este conceito “para um conjunto mais grave de circunstâncias”, disse em conferência de imprensa, citado pela Reuters.
Em Bruxelas, Valdis Dombrovskis, o comissário responsável pela pasta da Economia, tinha já sinalizado este receio. O impacto da guerra, disse, “vai depender largamente da duração e da sua abrangência”. Se tiver um arrastamento no tempo, “com interrupções no transporte de petróleo e na produção de petróleo e gás, isso pode criar um choque de estgaflação na economia europeia”.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico