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Onde pôr o risco? Três forças que vão redefinir as carteiras

Tarifas, tecnologia e taxas são as três forças que vão formatar carteiras de investimento no que resta de 2025 e no próximo ano. A inteligência artificial e a energia para a alimentar são centrais.

Em Sines, a cidade da costa alentejana com menos de 15 mil habitantes, banhada pelo frio Atlântico, encontra-se o exemplo das forças que estão a moldar as estratégias globais de investimento. A Start Campus inaugurou este ano o SIN01, o primeiro de seis módulos do seu hyperscaler, um centro de dados com grande escala, num investimento internacional da Davidson Kempner Capital Management e da Pioneer Point Partners. Tem capacidade para 31MW, o equivalente a todo o parque residencial de Braga. O segundo chegará aos 180MW e os restantes a 240MW. No final, terão sido investidos 8,5 mil milhões de euros, com capacidade para atrair outros 30 mil milhões em equipamento. Terá 1,2GW de capacidade instalada, que consumirá tanta energia como o Luxemburgo, mas totalmente renovável.
Sines é um ponto estratégico com ligações de fibra ótica a quatro continentes e o objetivo declarado é captar investimento em inteligência artificial (IA), como o da Nscale, que vai instalar 12.600 unidades de processamento de grande capacidade da Nvidia para apoiar a Microsoft no fornecimento de recursos avançados de IA em toda a União Europeia.
É assim que na região mais ocidental da Europa confluem três tendências que definem o investimento global em 2026: a convergência entre energia, tecnologia e infraestruturas críticas. É nesse cruzamento que se joga a próxima década de retornos.
Os centros de dados, que há cinco anos eram ativos de nicho, tornaram-se motores de investimento estratégico. O Goldman Sachs prevê que a procura global de capacidade de computação associada à IA duplique entre este ano e o próximo, o que significa redes elétricas mais robustas, interligações internacionais e armazenamento em larga escala.
Obrigações e dívida soberana estão a deixar de oferecer o benefício que tinham em ciclos de taxas elevadas porque o rendimento futuro está a descer. O Bank of America alerta que “a compressão do prémio de risco em dívida pública vai reduzir o apetite dos investidores”. As yields de longo prazo vão reduzir-se.
À medida que o retorno dos títulos de dívida desce, o capital procura refúgio em ativos que combinem estabilidade com crescimento real.

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