Lusofonia pode transformar língua comum em rede de negócios agrícolas. Esta pode tornar-se uma plataforma para ligar terra, capital, tecnologia e mercados agrícolas. Essa foi uma das ideias centrais do Global Agri Forum, realizado esta quinta-feira, 1 de outubro, em Lisboa, pela Vieira de Almeida (VdA), num encontro que juntou responsáveis políticos, empresários e investidores de vários países.
“Comer e beber nunca vai passar de moda”, afirmou José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e Mar, colocando a segurança alimentar no centro de uma equação marcada pelo crescimento da população, alterações climáticas e falta de mão de obra.
A resposta passa, defendeu, por mecanização, agricultura de precisão, robótica, culturas mais resistentes e investimento em água e infraestruturas. O ministro apontou ainda para um fundo europeu de 400 mil milhões de euros para 2028-2034 e para necessidades globais de investimento de vários biliões de euros.
A oportunidade é particularmente visível em Angola. Paulo Fradilha, CEO da Agritech Show Luanda, revelou que o país dispõe de 37 milhões de hectares aráveis, mas apenas 10% a 15% estarão atualmente explorados. Com uma economia ainda dependente do petróleo, Angola procura acelerar a agricultura e atrair capital. “
O Brasil é um dos principais parceiros até ao momento, mas também há muitas empresas e muitos fundos de investimento árabes aqui de olhos postos em Angola”, diz.
A dimensão do desafio é confirmada por Wanderley Ribeiro, presidente da AAPA – Associação Agropecuária de Angola. Segundo os dados apresentados, o petróleo representa cerca de 95% das exportações angolanas, enquanto a agricultura pesa aproximadamente 25% no PIB. O país importa cerca de 2,3 mil milhões de dólares de produtos alimentares e cerca de 90% da agricultura está nas mãos de pequenos produtores familiares. Apesar disso, apenas 16% do financiamento chega ao setor agrícola.
O caso da lusofonia para o futuro do agronegócio
/
No Global Agri Forum, realizado em Lisboa, vários intervenientes defenderam que os países de língua portuguesa podem transformar 260 milhões de pessoas numa rede de investimento e novos negócios.