Entre capital, tecnologia, agricultura tropical e novas cadeias de distribuição está a desenhar-se uma rota agrícola que atravessa três continentes: África, Brasil e Europa. No Global Agri Forum, Wanderley Ribeiro, presidente da Associação Agro-Pecuária de Angola (AAPA), apontou as oportunidades num país que importa cerca de 2,3 mil milhões de dólares (cerca de 2 mil milhões de euros) de alimentos por ano. A agricultura representa cerca de 25% do PIB, mas 95% das exportações continuam dependentes do petróleo.
O financiamento é um dos principais obstáculos. Segundo Wanderley Ribeiro, apenas cerca de 16% do crédito bancário disponibilizado no último ano terá sido dirigido ao setor produtivo. Destacou o AgriConnect, que pretende mobilizar 1,4 mil milhões de dólares (cerca de 1,2 mil milhões de euros), e um programa de 211 milhões de dólares (cerca de 181 milhões de euros) para o leste do país. O corredor do Lobito é outra peça da estratégia, fundamental pelo investimento que está a permitir no setor..
O Brasil surge como parceiro pela experiência acumulada em agricultura tropical. António Azevedo, CEO do Luxor Group, destacou a transformação do Cerrado através de investigação, tecnologia e capital e vê em Angola e Moçambique novas oportunidades para aplicar esse conhecimento. A indústria angolana começa a criar procura. A Phoenix Eagle Group prepara um investimento para processar cerca de 450 toneladas métricas de soja, depois de ter desenvolvido capacidade para processar trigo e milho.
Ribeiro estima que as exportações alimentares angolanas para Portugal, atualmente de 30 a 40 milhões de dólares (cerca de 26 a 34 milhões de euros), possam duplicar ou triplicar nos próximos cinco anos. Alguns produtores estão já a aumentar as áreas de frutas tropicais.
Portugal pode funcionar como ligação ao mercado europeu, enquanto empresas portuguesas encontram oportunidades em tecnologia, irrigação, logística e financiamento. Angola poderá também tornar-se fornecedora de fertilizantes ao Brasil, com uma futura unidade de ureia estimada em 1,3 milhões de toneladas de capacidade. Só falta aproveitar as oportunidades.
Nova rota agrícola liga Brasil, África e Europa
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Brasil procura novas fronteiras para o agronegócio, Angola quer transformar terra em produção e Portugal faz a ponte com a Europa.